Projeto Portal foi uma revista de contos de ficção científica com periodicidade semestral, editada no sistema de cooperativa durante os anos de 2008 e 2010. A pequena tiragem — duzentos exemplares de cada número — foi distribuída entre acadêmicos, jornalistas e formadores de opinião. Seis números (de papel e tinta, não online). O título de cada revista homenageou uma obra célebre do gênero: Portal Solaris, Portal Neuromancer, Portal Stalker, Portal Fundação, Portal 2001 e Portal Fahrenheit.


Idealização: Nelson de Oliveira | Projeto gráfico e diagramação: Teo Adorno
Revisão: Mirtes Leal e Ivan Hegenberg | Impressão: LGE Editora

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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Cristina Alves (do Rascunhos) comenta Portal Fundação





A portuguesa Cristina Alves do Rascunhos, um ótimo blog sobre literatura fantástica, deixou seus comentários a respeito do Portal Fundação:

"Portal fundação é uma das seis revistas de contos de ficção científica, com periodicidade semestral, lançadas pelo Projecto Portal. Com número de exemplares limitado a 200, estas revistas não são comercializadas e reúnem contos de dezassete autores.

Como é habitual nos conjuntos de contos, existem histórias muito boas e outras mais fracas. Esta destacou-se, no entanto, por, na primeira metade, não ter encontrado nenhuma a que tivesse ficado indiferente."

A resenha foi dividida em duas partes, que estão AQUI e ALI.


(imagem DAQUI)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Algumas impressões do Portal Fundação pelo Táxi Pluvioso





Táxi Pluvioso ( Pratinho de Couratos ), assim como eu, é um dos "Agentes Secretos", informantes do blog de além-mar, o "Coisas do Arco da Velha". Enviei para ele um dos exemplares do Portal Fundação e ele gentilmente me mandou algumas de suas impressões.


"Hello Brontops, Muito tempo tem passado, mas nas últimas semanas não consegui ler nada, nem o Dostoievski, que tinha iniciado. De qualquer maneira, antes desta interrupção li umas partes da revista e devo dizer que está genial. Em primeiro lugar o formato, não é que eu ache que a arte deva ser obrigatoriamente funcional, mas uma revista com forma de livro, que se pode arrumar numa prateleira, ajuda, nesta época de apartamentos e casas em miniatura (para os mais pobres, claro). Lembro-me da primeira BD punk (na altura do aparecimento do movimento) que comprei, com um formato A3 que não cabia em lado nenhum. Ou, noutra arte, na música, a feliz ideia dos Crematory em editarem um CD em forma de lâmina de serra. Resultado, não se pode meter numa drive do computador, pois não toca e pode causar danos. Enfim, uma boa ideia para os fãs nas que, na prática, é uma grande borrada. Segundo, o tamanho dos contos é ideal. Numa época em que o ser humano sofre de distúrbios de atenção, pelo excesso de informação, e em que não há tempo para ler, devido a outras solicitações mais atractivas, contos com poucas páginas são um chamariz à leitura (embora os livros Harry Potter contrariem esta ideia, mas isso é uma excepção). Os contos, achei muito interessante a ideia do “história com desenhos e diálogo”, duas realidades paralelas, de um cenário apocalíptico, percorrido pelos inevitáveis seres humanos. As máquinas de teletransporte em “sésamo, bananas & kung fu” já são uma realidade, no que diz respeito aos chineses, eles estão por todo o lado, falta aperfeiçoar a deslocação, para as pessoas aterrarem dentro de muros e paredes (ou na banheira da Avril Levigne, pensando bem, não me importava de ter uma máquina dessas). E a manipulação da memória no “hipercampo” tem um clima do vídeo “smack my bitch up” dos Prodigy. O conto “veja o seu futuro” também está fantástico. Não é possível escapar ao seu destino. Por muito que se mude as opções. Eu até acho que, se fosse possível viajar para o passado, não seria possível alterar o presente, pois o que faz um facto histórico, são milhões de variáveis que, alterando uma, não altera em nada o final. Tem-se a ideia de que, voltava-se no tempo, matava-se o Hitler e não sucederia a 2ª metade da guerra mundial. Essa guerra depende de inúmeros factores que Hitler é irrisório. Por acaso, estive a ler uma pequena nota, de um americano do MIT, que tentava explicar isto pelo estado quântico dos objectos, o link: http://www.popsci.com/science/article/2010-07/quantum-time-machine-lets-you-travel-past-without-fear-grandfather-paradox O não usar o acordo ortográfico, não significa que sou contra, até acho que foi fraco, devia ir mais além, limpando a língua, adequando-a ao computador (excluindo muitos acentos, por exemplo), apenas o meu corrector automático é antigo e dá erro, e não estou para corrigir manualmente. Darei mais notícias em breve. Um abraço"


Outro abraço e obrigado, Táxi Pluvioso...


(Não sei se é necessário, BD é a abreviatura para "Banda Desenhada": História em Quadrinhos para os brasileiros)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Impressões Portal Fundação



Wilson, do Fórum Meia Palavra, dá suas impressões do Portal Fundação


"Entende-se que toda história se origina de um conflito. Os 27 contos apresentados na coletânea de ficção científica Portal: Fundação, aproveitam-se desse princípio, e usam da liberdade criativa permitida pelo gênero (extrapolando-o quando necessário), para nos trazer histórias nascidas de embates que sempre se repetiram pela história e sempre continuarão a se repetir: o homem vs. a máquina, o homem vs. o alienígena, o homem vs. ele próprio. Na mão de bons autores, no entanto, a imaginação não permite ao leitor se entediar em lugares-comuns. O principal mérito dos coordenadores foi agrupar contos tão díspares em conteúdo quanto em forma.

Três contos em particular me chamaram a atenção (tudo bem, quatro). Em primeiro lugar, Veja seu futuro, de Ataíde Tartari, trabalhando com uma das premissas mais instigantes da ficção científica que é a viagem no tempo, apresenta tudo aquilo que se pede de uma boa história, levando a obsessão de seu protagonista em procurar saber seu futuro a um final que não tanto surpreende o leitor, mas, num resumo da temática que se repete ao longo dos demais contos, o carrega inevitavelmente a um final, um final em aberto, como deve ser o de todas as boas histórias, que se prolongue nos meandros internos do leitor, mas que ofereça à história em si um sentido de unidade. Cheiro de predador, de Roberto de Sousa Caruso, une duas temáticas que me são muito caras, que é a ficção científica a um enredo policial, ou pulp, ou pop, seja como for, que traz a figura enigmática de uma assassina em busca de cumprir sua missão. Esses dois contos estão na primeira parte da antologia, onde o foco está mais na trama, ao contrário da segunda parte, em que o experimentalismo com a linguagem torna-se o foco dos autores; meus dois contos favoritos são aqueles que conseguem unir essas duas ambições - são eles: O desenvolvimento insustentável do ser, de Laura Fuentes, que, em episódios curtos que pulam décadas e séculos na linha do tempo, espelha o progresso tecnológico do homem a um processo constante de isolamento, enxergando numa visão negativista o avanço tecnológico como alavanca à desumanização e à solidão; e Sob as Sete Luas de Sirena, de Luiz Roberto Guedes, com um certo apelo filosófico ao retratar a vida solitária de um homem responsável por nomear mares, montanhas, etc., em um planeta alienígena, e que nos envolve por completo em suas descrições, usando de uma prosa bem rebuscada."


(Imagem VIA)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Kio, editor do Farrazine, comenta os Portais


Enviei para o Kio, editor e diagramador do fanzine on-line Farrazine (Acabou de sair o número 17: visite o BLOG e conheça a revista), o Portal Fundação e o Portal Stalker. Por email, ele me passou suas impressões - como leitor - que publico a seguir:

* * * PORTAL STALKER

"Salve, Brontops.

Bom, não tenho cacoete de crítico literário e acho até que, em alguns casos, minha compreensão ficou aquém do que foi proposto em alguns textos... mas, 'bora comentar.

Primeiramente, o visual do livro está ótimo. Diagramação limpa, boa impressão, revisão muito bem feita (tive a impressão de ter visto apenas um erro, não me lembro onde) e não misturar os contos dos autores foi uma boa decisão.

"Gigantes" - Lembrei-me na hora do conto "O Homúnculo" do Vino hehe. Tem suas semelhanças na linguagem e na proposta. Aliás, recomendo que você leia (se não o fez) o Histórias de Terrir.
Voltando... a ideia de "não terminar" o conto foi excelente. Gosto quando deixa margem a imaginação.

"O Novo Protótipo" - Imaginei uma mistura de "Blade Runner" com "Akira" para me ambientar nesse conto. Cara, que loucura foi pensar em São Paulo desse jeito. Gostaria de vê-la em HQ.

"Ontem Ferido" e "Alguém que Fui" - Não me adaptei muito bem ao estilo da Maria Helena. Pareceu-me muito carregado de poesia, entende? Etéreo, talvez? Confesso que não consegui ver o que está ali, mas não está escrito. Faltaram-me elementos para completar os contos na cabeça, a ponto de fazer sentido.

"Sagrado" - Angustiante (rs) mas no bom sentido. A forma que foi construída o que pode vir a ser idolatria radical do futuro me deixou tenso. Jeito inteligente de misturar as indústrias do marketing e da religião. Fiquei grudado no texto.

"Kripton" - A narração desse último dia da Terra foi um dos poucos que me passou a inevitabilidade do fim. Já vimos isso em livros, filmes, desenhos, HQs e, acredite, entrei no clima da desesperança que esse fim traz. Conseguiu esse efeito.

"Os Quereres" - Faz pensar se teremos uma banalização tão grande das coisas que nos são caras. E daí, como contraponto, vem a imagem da jovem viúva com as aflições e os sentimentos com os quais estamos mais ambientados.

"Buraco no Céu" - Reviravolta sensacional. Dava a impressão que iria cair no lugar-comum e finaliza com uma sacada brilhante. Certamente, uma forma de apocalipse inesperada (rs).

"Wharia Avariada" e "Nonsensal" - Muito vagos, não me inspiraram a tentar entender melhor ou construir alguma coisa a mais.

"Holograma" - Enlouquecer pela solidão ou pela privação. Apesar de ser meio "batido", foi bem explorado.

"Tempo Virtual, Mate Real" - Bela sacada. Com essa onda da vida virtual, Second Life, avatares e afins a construção do conto foi muito inteligente.

"Artigos..." - Cara, o Tiago construiu uma visão de futuro muito interessante. Sugiro até que ele registre a patente de certos utensílios domésticos dos contos (rs). O "captador" de ódio foi demais. Gostei muito da leitura.

"Fênix: Missão Urano" - Típica aventura a la Star Trek. Nem precisa de muita explicação, o ambiente já é suficientemente envoltente. Gostaria de ver a continuação, a viagem da Fênix para Oort.

"Singularidade Nua" - Também me agradou, mesmo não sendo tão fã do gênero sci-fi. Aliás, o Luiz e o Rodrigo foram os que mais usaram da linguagem "simples" desse gênero, mais habitual digamos assim.

"Esquizóide" - Caramba, quantas citações e jogos de palavras tão bem colocadas no texto. Foi a leitura que mais me impressionou, pela proposta de trabalhar com o não-saber envolvendo tanto saber.

E é isso, meu caro. Agradeço novamente o envio do livro. Você me proporcionou uma leitura diferente que, no mínimo, estimulou muito o meu pensar.

Abração."

* * * PORTAL FUNDAÇÃO

Essa complicação de contos entitulada "Portal Fundação" difere um pouco da anterior ("Stalker") pela linguagem mais harmônica, entre si, dos autores.

Apesar do estilo distinto de cada um deles, a ficção não adquiriu um aspecto muito inacessível, abordando o tema com um quê de realidade plausível. Vemos apenas uma exceção, de uma autora que cito mais abaixo, onde a fantasia é mais presente, mas sem descaracterizar a plausibilidade.

Em "Veja seu Futuro", o desfecho da história nos remete aos finais costumeiros da série "Twilight Zone", onde chega a causar desespero, a sensação de inevitabilidade que se alcança.

"Cheiro de Predador" e "Estranho Progresso" propõe a continuidade da "Lei do mais Forte", lei esta que no decorrer dos anos se mantém em vigor e, pelo visto, será a que tem mais chance de prevalecer num futuro pós-apocalíptico.

A forma como o preconceito é tratado em "Cor da Tempestade" é digna de aplausos. Conto envolvente que, apesar de deixar transparecer seu desfecho um pouco cedo, tem os elementos básicos para gerar uma boa análise sobre a segregação racial.

Seguindo na leitura, "Nuvem de Cães-Cavalos" nos leva a paranóia angustiante do protagonista, agitado e confuso. Logo após, com "O desenvolvimento Insustentável do Ser" vemos, de maneira quase monótona, um avanço gradativo no tempo onde percebe-se que o quão valioso é o que se perde.

"Animmalia" lembra um folhetim detetivesco "noir", só que nesse caso estamos no futuro. Um "noir futurístico", se me permitem o paradoxo. Destaque especial ao casal de detetives.

Ler "Habeas Mentem", "Sob as Sete Luas..." e "O Guarda-Mor..." seguidamente, em um curto intervalo, é um exercício muito interessante. Parte-se da ação, para a ficção mais "asimoviana", concluindo numa ficção de pé descalço e bicho de pé. Uma experiência que está sendo possível através do excelente trabalho do "Projeto Portal".

Maria Helena Bandeira está estrategicamente colocada no livro, com seus 6 contos, para marcar um estilo. Seus contos, mais curtos que de seus colegas escritores, têm uma linguagem poética que não se deixa destoar do tema proposto. Ao contrário disso, traz uma atmosfera mais abstrata, portanto enaltecendo o fantástico.

"Deslocalidade" e "Eu?" novamente trazem o conflito, se lidos imediatamente um após o outro. Sorver a narração séria, fiel ao tema ficcional encontrada em "Deslocalidade" e logo mais à frente se deparar com o turbilhão narrativo de "Eu?" torna o conjunto muito mais interessante. Pode parecer estranho a avaliação, nesse caso, não ser conto-por-conto, já que são tão díspares, mas essa característica tornou tudo muito mais prazeroso de se assimilar.

Tivesse "O Preto" se passado em um morro a analogia estaria mais que explícita. Um provável futuro, podemos dizer.

O conto "Index" faz jus ao seu título. Vemos uma enxurrada de palavras interligadas que, como bem descreveu-se o autor - "escrevo possesso" - são atiradas na face do leitor que, indefeso, só pode absorvê-las continuamente e, para melhor degustação, tornar a lê-las em outra oportunidade, quem sabe com outros olhos.

E tem mais, "O Corpo Seco" não nos deixa descansar da enxurrada citada acima. Imagino esse conto na voz do vocalista do Rappa, o Falcão. Que me perdoe o autor se não concorda com a escolha, mas a voz rouca e emergencial desse sujeito me parece ser providencial.

E que venha o descanso com o que temos a seguir, um conto mais cerebral. Oras, depois de "Index" eu me permiti esse chiste para comentar "O Cérebro". Que me perdoem.

Parar o tempo deve estar no imaginário da maioria da população. Em "O Homem que Parava o Tempo" temos a oportunidade de ver uma pessoa comum com essa habilidade... no século V. No final, vemos que nós homens somos todos iguais.

"Sésamo, Bananas & Kung-Fu" e "Hipocampo" são relatos futurísticos da provável confusão que seríamos vítimas - e responsáveis - com o advento de novas tecnologias e possibilidades. É o contraponto entre velhos hábitos e novos vícios.

"História com desenho e diálogo" é um desses contos que se enxerga além das palavras. É certo que a forma como é escrito colabora com essa perspectiva, porém há de se enaltecer uma narrativa descritiva que não se destaca - nem a mais, nem a menos - do texto, completando-o contudo.

E aí está, meu caro. São minhas humildes impressões que, mesmo sem embasamento literário, saltaram dos meu dedos com honestidade."

Muito obrigado Kio!


(imagem via IO9; Para conhecer a revista eletrônica FARRAZINE, clique AQUI)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Resenha do Portal Fundação no Ambrosia




"A ficção científica foi um gênero bastante explorado no século passado. Histórias com novos mundos, em sociedades diferentes e novos contextos povoaram os livros e encantaram leitores, servindo de material para muitos dos filmes que Hollywood tanto adora fazer. Não há estilo melhor para se pensar o futuro e refletir o presente. E hoje isso continua sendo feito, seja em grandes romances ou em pequenas histórias que exaltam os maiores autores de ficção científica que deram a base para essa nova geração."

Resenha da .Izze. Para ler o resto, clique AQUI.

segunda-feira, 29 de março de 2010

sábado, 13 de março de 2010

Gigio (do Meia Palavra) comenta o Portal Fundação






O que é BLOG Meia Palavra ?
É um blog direcionado para quem ama literatura, adaptações e outras artes (em um apanhado geral). Mas o pilar que sustenta o portal é a literatura, suas adaptações, resenhas, notícias e crônicas. É um projeto sem fins lucrativos montado e administrado por pessoas que realmente gostam e entendem do assunto.

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O que é o FÓRUM Meia Palavra?
É um fórum de discussões onde aprofundamos o que já foi publicado ou geramos novas idéias. É também uma comunidade para todos os leitores do site se conhecerem e trocarem informações. Na verdade, o Meia Palavra nasceu ao contrário: surgiu como um fórum, um espaço novo para discutir literatura entre amigos, e do fórum saiu a idéia de montar um blog para todas as pessoas que se interessam por literatura sem preconceitos e sempre de bom humor.

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(Desculpem a preguiça, mas extraí o texto acima do FAQ do blog... Mas recomendo muito o blog e o fórum a todo mundo que lê e que escreve...)

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Eu, Brontops, distribuí alguns exemplares entre membros do Fórum que se interessaram pelo Projeto, sob a condição de dizer o que acharam, se gostaram, odiaram, etc. O GIGIO foi o primeiro a escrever e os seus comentários estão abaixo:


Como havia sido combinado com o Brontops, ao recebimento desses exemplares do Portal Fundação caberia a contrapartida de elaborar uma resenha do livro. Alguns dos autores já conhecia de outras coletâneas, outros foram novos para mim, mas de modo geral fico feliz de poder acompanhar mais este passo da ficção científica no Brasil.

Além da variedade dos temas tratados, como o Brontops já havia comentado, há também uma variedade impressionante na forma dada aos contos. Definitivamente não existem dois em toda a coletânea que sigam o mesmo caminho. Acho isso muito louvável e vejo como uma mostra da riqueza disponível no cenário nacional.

Apesar da troca reco mpensadora, essa tarefa de criar uma resenha foi também um tanto ingrata. Como crítico, minha vontade seria a de dizer "tomem, leiam e conheçam por si". Não me sinto confortável no papel, que vejo como uma tentativa de ensinar pessoas adultas e saudáveis a andar. Para mim cada um dos textos possui uma qualidade artística única e tentei tratá-los com o máximo de respeito. Ainda assim peço desculpas antecipadamente aos autores pela apropriação que faço de seus contos e por maculá-los com minhas interpretações.


Seguem então os contos, na ordem disposta na antologia.

Veja seu Futuro, Ataíde Tartari
Algo muito importante na construção da identidade de uma história é o bom uso de referências locais. Neste conto de Ataíde, temos o palco central em uma loja da R. Conselheiro Crispiano, famoso centro de material fotográfico de São Paulo, onde ele nos revela que estaria instalada, à vista d e todos, uma máquina do tempo.

Apesar do muito que já se produziu sobre viagem do tempo, a história de Ataíde consegue delimitar seu próprio espaço. O estilo se caracteriza por uma certa irreverência, em que o aspecto fantástico supera as exigências de maiores explicações técnicas. E o desenvolvimento, embora pareça simples, tranforma-se completamente após a conclusão.

Cheiro de Predador, Roberto de Sousa Caruso
Em um futuro de muitos sistemas solares, uma assassina mercenária busca cumprir sua missão. O conto de Roberto Caruso, no entanto, não se destaca pelas cenas de combate em alta tecnologia ou por perseguições espaciais, mas pela representação detalhada de um futuro estranho e certamente alienígena, com direito a metáforas inspiradas em Baudelaire. Falta apenas um pouco mais de espaço para o desenvolvimento da história, que facilmente se expandiria por outras páginas.

Estranho Progresso, Richard Diegues
Neste conto Richard compõe uma paisagem onírica, para a qual somos transportados e da qual somos observadores por alguns momentos. Seria vão tentar decifrar todas as suas referências, especialmente porque observamos esse mundo pelos olhos de um narrador cuja natureza é um dos mistérios centrais. Duas coisas, contudo, poderiam ser dadas como certas: trata-se de uma história sobre o antigo faroeste; e trata-se de uma história sobre um futuro distópico. Entre esses dois aspectos insere-se uma discussão sobre o próprio tempo e suas transformações.

A Cor da Tempestade, Mustafá Ali Kanso
Muitas histórias sobre um futuro espacial costumam conceber a luta do ser humano, nobre e criativo, contra uma espécie alienígena, vil e insensível. Algumas poucas, como é o caso deste conto de Mustafá, exploram uma visão menos ingênua. Aqui o homem, espalhando-se e isolando-se pela galáxia, tranforma-se em algo estranho a si mesmo. Assim foi que os habitantes de Sangar, primeira colônia extra-solar, tornaram-se alvo de uma nova fase de intolerância na nossa história. Do choque entre as subespécies, a princípio, o foco se desloca aos poucos para conflitos mais pessoais, entre indivíduos, entre homem e mulher, o que leva o conto a adquirir um certo tom de fábula.

Nuvem de Cães-cavalos, Luiz Bras
Ao contrário da maioria dos contos da coletânea, o de Luiz Bras se concentra em um curto período de tempo, em que não são muitos os recursos fantásticos explícitos. Mas desde o princípio sabemos que há algo estranho em suspenso. As referências vão aparecendo gradualmente, em um thriller psicológico em que acompanhamos o processo de descoberta do próprio narrador. Um texto muito bem escrito, em que se mostra domínio do ritmo e do peso das pala vras.

O Desenvolvimento Insustentável do Ser, Laura Fuentes
A ficção científica, em uma concepção geral, se define por uma preocupação com o "e se?". O escritor se deixa mergulhar em uma visão de futuro ou de realidade alternativa. Para onde caminhamos todos nós, homens comuns? Essa é a reflexão que nos apresenta Laura Fuentes, através da composição de retratos de diferentes personagens, em diferentes ambientes do panorama nacional, por um período de quase 70 anos do séc. XXI. Que tipo de transformações ainda poderemos presenciar? É o que ela tem a nos mostrar, em uma imagem que deixa questões tecnológicas à margem e enfoca o universo pessoal, a relação entre as pessoas e o ritmo do cotidiano.

Animmalia, Giulia Moon & Roberto Melfra
Se por um lado escritores de FC são grandes inventores, por outro são também experts em explorar as possíveis consequências de experimentos mal sucedidos. Neste conto de Giulia Moon e Roberto Melfra, mal sucedido o bastante para que a história comece com um corpo estirado sobre a calçada.
No cenário construído pelos autores, há uma preocupação em criar uma ponte com o verossímil (até onde seja possível, no gênero), desde o cuidado em imaginar novas formas tecnológicas que estejam integradas ao cotidiano até a caracterização da personagem central do mistério, uma investigadora de "traços nada memoráveis".

Habeas Mentem, Ricardo Delfin
Conspirações, organizações clandestinas, tecnologias secretas, codinomes bacanas - todos os ingredientes de um bom thriller futurista estão presentes nesta história de Ricardo Delfin. O espaço do conto, aqui, faz com que o desenvolvimento assuma um ritmo acelerado e como o protagonista, Gödel, parecemos estar sempre um passo atrás de compreendermos a v erdadeira natureza dos eventos que presenciamos. E como um bom suspense, no final todos os elementos se encontram e se completam.


Sob as Sete Luas de Sirena, Luiz Roberto Guedes
Em um espaço colonizado muito, muito vasto, um legionário guarda, solitário, um planeta na fronteira de Virgo. Sua principal ocupação está em nomear os mares, as montanhas, a flora e fauna desse lugar esquecido. Aos poucos, no entanto, ele se verá envolvido em estranhos acontecimentos...
A representação que Luiz Guedes faz desse ambiente alienígena está em par com qualquer outro já criado no gênero. A princípio ela soa desconcertante - exatamente o que se esperaria de um planeta exótico a centenas de anos-luz da Terra. E além do cuidado descritivo, o conto apresenta ainda uma história muito cativante, que nos faz acompanhar com atenção até as últimas linhas.

O Guarda-mor, a Urutu Dourada e o Disco Voador, Martha Argel
As terras do interior, com seus silenciosos descampados, suas matas virgens e a distância da sensação de segurança dos aglomerados humanos são uma fonte natural de mistérios. O que se diria se um objeto desconhecido fosse avistado numa fazenda dos fins do mundo? Essa é a premissa para a história de Martha Argel, que mescla à FC os mitos do nosso folclore para compor um conto divertido, especialmente pela representação do diálogo dos matutos.

(A partir daqui os contos se tornam mais experimentais. Nesses casos se torna ainda mais difícil julgar com clareza. Tudo o que é excêntrico parece estranho a princípio e por isso as ressalvas feitas inicialmente passam a valer em dobro.)

A Pescaria; Até Eu Acabar Este Cigarro; Nas Montanhas da Irlanda e Aqui Também; Parállaxis; e Opções Imperfeitas, Maria Helena Bandeira
Os minicontos de Mari a Helena Bandeira são oferendas à imaginação: predadores de uma existência infravermelha, corpos anarquizados, bibliotecários de mentes, chuvas de DNA... Não se trata mais aqui de FC, outros limites são explorados, em algo que se poderia chamar de ficcão surrealista. "- Criança gostam de surrealismo. - Mas os jurados não." Libertar a imaginação das convenções, para que outros níveis de originalidade possas ser alcançados, é o que a escritora parece nos propor.

Deslocalidade; Eu?; e O Preto, Marco Antônio de Araújo Bueno
Os textos de Marco Antônio Bueno também demonstram um estilo característico. Deixando de lado "Eu?", que não se enquadra bem no gênero, pode-se dizer, de modo geral, que os outros dois apresentam perspectivas não-humanas, ou que transcendem o humano, pós-humanas. A linguagem, nesses casos, é empregada de forma precisa e densa, numa tentativa de delimitar uma experiência que não se define diretamente, que está encoberta por uma camada de estranhamento e incompreensão. Seus personagens lidam com o rompimento com as normas, um desajuste essencialmente interno, mas que é captado como um comportamento errante ou rebelde, que ao mesmo tempo os afasta e coloca-os em choque com sua condição.

Índex, Rodrigo Novaes de Almeida
Índex é um fragmento de toda a informação do gigantesco arquivo que existirá, e já existe. Índex é também um conto em fluxo de consciência, uma escrita possessa, um estado excitado de criação, no qual se revelam delírios, desejos e fantasias.

Corpo Seco; O Cérebro; e O Homem que Parava o Tempo, Leandro Leite Leocadio
Períodos curtos, preocupação com a sonoridade e o ritmo, coloquialidade, variação do foco narrativo, todas essas característica fazem com que os contos curtos de Leandro Leocadio assumam um tom de cantiga ou de história contada em roda. O resultado é especialmente notável em "Corpo Seco", onde o aspecto formal e o conteúdo não poderiam ser separados sem que algo se perdesse profundamente. Leocadio cria a lenda do corpo seco com o espírito próprio da oralidade, apenas para recapturá-la com seu estilo.

Sésamo, Bananas & Kung-Fu; (Hipocampo); e (História com Desenho e Diálogo), Brontops Baruq
As três histórias de Brontops têm em comum uma composição em que o fluxo de originalidade é constante. Cada período revela novos elementos do cenário, num processo contínuo de enriquecimento. E até as últimas linhas esse processo acrescenta não apenas detalhes, mas reorienta nosso sentido de interpretação. A isso se refere o fato de serem todas bastante cativantes.
Sésamo, Bananas & Kung-Fu acompanha um relato histórico de uma sà ©rie de eventos que se seguiram à introdução do sistema de teletransporte individual, que vão desde consequências políticas às cotidianas, como o caso do homem misteriosamente esmagado em sua própria cama. O final é inusitado e envolve o título do conto.

(Hipocampo) parece ser o depoimento de um homem comum de um futuro não muito distante. No entanto, a gravidade dos fatos narrados parece escapar a esse narrador. Sua própria condição, vamos descobrindo, talvez não o torne uma fonte confiável.
(História com Desenho e Diálogo) tem a estrutura mais original. Somos levados a percorrer um caderno, observando a descrição das gravuras e lendo as pequenas anotações que as acompanham. Assim, a partir de um objeto trivial e estático, constrói-se toda uma situação de proporções sensivelmente maiores.

Por fim, embora não tenha feito uma avaliação explíci ta dos contos, gostaria de eleger os meus favoritos: "Nuvem de Cães-Cavalos", de Luiz Bras; "Sob as Sete Luas de sirena", de Luiz Roberto Guedes; e "(História com Desenho e Diálogo), de Brontops. E entre os mais experimentais, "Pescaria", de Maria Helena Bandeira; e "Corpo Seco", de Leandro Leite Leocadio.


É isso então, até o próximo Portal!"


(Esqueci de onde veio a imagem. Quem souber me avise que eu coloco a referência)

sexta-feira, 12 de março de 2010

Parállaxis



"Um enorme cogumelo atômico surgiu do mar perto do Rio de Janeiro e explodiu as estrelas que caíram na terra de onde germinaram Ray Charles adultos, de óculos escuros e cantando Ruby"



(imagem Haw-Lin: ?)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

sob as sete luas de sirena



"Anfíbios, insecta, alados, caudatos, rastejantes, bipedes, quadrúpedes e multípedes de porre. Cambaleando, cabeceando, tropeçando e rolando de bêbados. Saurianos, a espécie dominante, guinchando e mergulhando a cabeça em lagoas e rios, em busca de alívio."

(Arte do polonês Zdzislaw Beksinski)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Leonardo Vidal comenta os contos de Brontops Baruq publicados no Portal Fundação

O stream of cousciousness, técnica de desfilar pensamentos sem muita organização ou método, geralmente feita sem pontuação ou parágrafos, sem cuidado formal e de forma corrida, tentando fazer com que os dedos captem o pensamento do autor, ou a maior parte, tem seus altos e baixos e foi usada com sucesso por vários autores, Joyce e Garcia Márquez entre eles. No Outono do patriarca, Márquez chegou a fazer uns parágrafos (com rigor formal e bom senso na pontuação como nunca havia visto antes por autor nenhum) de 42 páginas, na edição que eu tinha (é, eu contei). Ulisses, de Joyce, é todo feito nessa técnica, são páginas e páginas com os pensamentos do protagonista em uma jornada épica cheia de paralelos com o clássico grego. Sem pontuação. Brincadeira corrente entre os amigos era que pelo menos não se precisava de um marcador de páginas, podia-se ler onde se abrisse o livro e sair da leitura igualmente confuso.

A questão é: vale a pena usar esse método? Em que grau? No texto normal (existe?) os parágrafos servem para dar uma pausa na leitura. Concluir pensamentos, indicar uma reviravolta ou marcar momentos importantes do texto. É guiar o leitor de forma um pouco mais segura. O stream of consciousness aos poucos leva o leitor a uma leitura rápida, ofegante, ansiosa pelo próximo porto seguro de um parágrafo, onde as frases são mais intuídas e menos lidas. Comparemos o leitor a um cego em uma rua movimentada: a pontuação formal orienta esse cego hipotético pelo braço, ele se sente seguro, certo de que atingirá o seu objetivo. O stream of consciousness larga o ceguinho no meio da rua, coitado, e este tem de se virar para achar seu caminho, toda palavra é um obstáculo a ser vencido, o sentido se formando a partir da leitura total, não construído logicamente, parte a parte.

Qual o sentido então, irmão meu, de se usar o stream of consciousness? Confundir o leitor? Fazer com que parte do texto passe em branco, construído só pelo sentido geral? Bão, aí é que a coisa pega: nem todo stream é confuso, existem jeitos e jeitos, gradações e construções. O stream tem a vantagem de mexer com a percepção do leitor, poder colocá-lo em determinado estado emocional (confuso ou angustiado são dois usos freqüentes), assim preparando-o para o próximo passo do texto. Dá ao autor o controle (ou a ilusão de controle) da reação emocional do leitor ao texto. Palavras emocionalmente carregadas podem tornar marcante certo trecho importante da trama, ou esconder a importância de um fato narrado como corriqueiro (o bom mistério é aquele que é revelado ao leitor só no final do livro).

Os contos Sésamo, bananas & kung-fu e Hipocampo usam essa técnica de forma igual (a falta de parágrafos), mas que suscitam leituras variadas: o primeiro passa uma sensação de rápida sucessão de fatos, uma evolução vertiginosa da tecnologia de teleporte apresentada pelo conto, e suas conseqüências, até que acontece o desfecho e o impasse, e, então, o aprofundamento da trama, quando o leitor aprende a origem extraterrestre da tecnologia e a trama se complica com a inserção de novos elementos. O que meio que quebra a leitura e força o leitor a ver o conto com outros olhos, e a história se transforma: é, agora, sobre alienígenas que viviam entre nós e resolveram partir porque a forma de transporte quebrou. E daí um deles decide ficar por gostar das coisas daqui, o que dá o título do conto.

Em Hipocampo temos o stream clássico, o fluxo de pensamento do protagonista que tenta recordar e entender as conseqüências de um... arram... embate amoroso com uma parceira que acabou se provando diferente do esperado. Tipo... espécie errada. A parceira seria uma alienígena que planta um ovo dentro do corpo do parceiro e o faz esquecer disso através de uma manipulação da área do cérebro chamada hipocampo, responsável pela memória. Sei, sei. “Daí o título do conto.” Mas há também outra dança de significados sob a superfície da trama, onde hipocampo é também o cavalo-marinho, espécie em que o macho cria o filhote em uma bolsa no ventre, à semelhança do canguru. O que talvez também esconda uma resposta à questão que o protagonista se põe, sobre a forma como o embrião, acabada a gestação, irá eclodir. Significados sobre significados, a linguagem às vezes elaborada às vezes brincalhona, tudo leva o leitor com maestria a um ponto de dúvida, à sensação de que ficou com a obrigação de responder à grande questão que, uma vez posta, é ignorada pelo protagonista, que se preocupa com novas conquistas sexuais.

Figuram entre os melhores contos do livro, que é bem eclético em sua seleção de estilos mas mostra certos desníveis na qualidade da prosa: certos contos não se desfraldam, não se realizam. No entanto, há diversos momentos surpreendentes, como a ficção de Ataíde Tartari e Laura Fuentes, Luiz Bras e Mustafá Ali Kanso.

O que poderia ser observado em relação aos contos seria a quebra em Sésamo, bananas & kung-fu, cuja leitura talvez (e isso é um talvez) pudesse ser melhorada com a mudança do stream para outra técnica narrativa na mudança de foco do conto, e o fato de um conhecimento prévio das peculiaridades da biologia do cavalo-marinho ser necessário para que o leitor perceba a multiplicidade de leituras possíveis em Hipocampo.

História com desenho e diálogo é outro assunto, completamente diferente. A história é contada de forma criativa e inovadora, com as descrições de desenhos infantis no suposto caderno e as anotações da criança, que são ricas em referências (tartaruga Donatelo, cadela Baleia, Chico Buarque e Stones, mais umas quantas) e trazem até mesmo um ponto que não é desenvolvido na narrativa (o da mineira), como um diário de criança poderia muito bem trazer. As descrições feitas de forma impessoal contrabalançam a fala infantil, e a descrição do caderno feita antes do conto começar é a preparação que o leitor necessitaria para afundar na história, não fosse um porém: à medida que o leitor avança na leitura do conto começa a sensação de que a fala da criança acaba por esclarecer todos os pontos necessários para um perfeito entendimento do texto, apresenta cada um dos personagens, capta momentos poéticos como a melancolia do avô, se preocupa em descrever um sorriso importante para a narrativa. Há momentos ótimos, lúdicos, como a tentativa infantil de descrever a “luz verde” ou referir-se a “Vovôvovó” quando os avós estão juntos. Mas a leitura total é a de que a fala infantil é muito certinha, muito fechada com a trama, para ser autêntica, impressão essa que nem a genial tirada do final da história (a da mineira, de novo) nem a também genial suspeita da autenticidade do caderno, aplacam por completo.

Faltou alguma coisa? Faltou o desnecessário, o trivial, faltou o ininteligível. Agora, é um paradoxo, isso de faltar o desnecessário?

Leonardo Vidal (também conhecido como InVinoVeritas)
http://invinoveritasnews.blogspot.com

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

o guarda-mor, a urutu dourada e o disco-voador




"A descrição tão precisa, tantos detalhes. Formato triangular, com luzes azuis por baixo e escotilhas na parte da frente, mais estreita... Anos de experiência entrevistando testemunhas de aparições de OVNIs, ele tinha certeza que conseguia perceber logo de cara quem era honesto e quem mentia."

(imagem: veio do Haw-Lin: portanto não se identifica. Mas se a alguém a identificar, me avisa que posto aqui)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

opções imperfeitas




"Que ideia extravagante! Indivíduos com cabeça, tronco e membros colados e dependentes. A sugestão parecia tão estapafúrdia que a neo-boca começou a rir, um ricto nervoso."



(imagens do fotógrafo ciclista canadense Jerome Abramovitch - Mannequim Series: agressivo, muito bom. ass: Brontops)

sábado, 30 de janeiro de 2010

veja seu futuro




"Embaixo da placa havia uma cortina negra, como um teatrinho de marionetes. De repente, ouvi um ruído como o de uma enceradeira. Dei um passo para trás quando percebi que a cortina estava se abrindo."



(Imagem: treco criado por australiano DonPezzano: blog e flickr de suas peças steampunk)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

" O PRETO"




"Ouviu pela tarde toda que morreria de porrada, que lhe quebrariam os ossos e lhe vazariam os olhos. Quando sorria, vago, o parceiro gozava ao contar-lhe como o faria mastigar os próprios dentes, depois que lhe extirpasse os testículos em tração lenta e meticulosa."

(ilustração de Alan C Queiroz)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Animmalia


"Vejam, cada vez mais as pessoas se trancam em casa, evitam sair e encontrar umas às outras. E cada vez mais dependem da companhia de animais domésticos para suprir suas carências emocionais."

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Nuvem de cães-cavalos




(Imagem do polonês Józef Wikon: extraído daqui)


P R O J E T O P O R T A L B L O G F E E D