Projeto Portal foi uma revista de contos de ficção científica com periodicidade semestral, editada no sistema de cooperativa durante os anos de 2008 e 2010. A pequena tiragem — duzentos exemplares de cada número — foi distribuída entre acadêmicos, jornalistas e formadores de opinião. Seis números (de papel e tinta, não online). O título de cada revista homenageou uma obra célebre do gênero: Portal Solaris, Portal Neuromancer, Portal Stalker, Portal Fundação, Portal 2001 e Portal Fahrenheit.


Idealização: Nelson de Oliveira | Projeto gráfico e diagramação: Teo Adorno
Revisão: Mirtes Leal e Ivan Hegenberg | Impressão: LGE Editora

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Portal 2001 na Verbo21




"Coordenado pelo escritor e ensaísta Nelson de Oliveira, o Projeto Portal é uma série de revistas que tem contribuído expressivamente para a valorização de um gênero literário ainda desconhecido para muitos leitores: a ficção científica.

De periodicidade semestral, cada número do Projeto Portal homenageia, no título, uma obra célebre da ficção científica: Portal Solaris, Portal Neuromancer, Portal Stalker, Portal Fundação, Portal 2001 e Portal Fahrenheit (sexto e último número do Projeto ainda previsto para lançamento neste ano). A quinta revista lançada no primeiro semestre do ano, Portal 2001, presta tributo ao filme 2001 – Uma odisséia no espaço, dirigido por Stanley Kubrick e tido por muitos como um divisor de águas dentro do cinema de ficção científica. Por sua vez, o longa-metragem de Kubrick é baseado no conto “The Sentinel”, de Arthur C. Clarke, reconhecidamente um dos mais celebrados autores do gênero.

Composta por trinta e uma narrativas que versam sobre novas tecnologias, viagens no tempo, ciberespaço, telepatia, contatos imediatos do terceiro grau, pós-apocalipse, pós-humano, utopias e distopias, de dezesseis autores contemporâneos, Portal 2001 encena dramas humanos dentro dos mais variados (e inusitados) cenários, indo muito além dos arquétipos comumente relacionados à ficção científica. Como HAL, computador que adquire consciência própria em 2001, cada conto da revista opera distintamente um estilo cônscio e próprio de escrever que refletem, em alguma medida, os impasses do homem diante de uma abundante tecnologia que paradoxalmente não lhe traz melhoria alguma."


Clique no texto para ler todo o artigo escrito por Thiago Lins da Silva e Lidiane Carvalho Nunes para a revista eletrônica Verbo21.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Transmigração pra lá de boa




Paula Cajaty deu sua opinião sobre o Portal 2001 AQUI


(imagem de Jim Burns. Via Capacitor Fantástico)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Nilto Maciel e o Portal 2001




Nilto Maciel, escritor, poeta, editou a revista Literatura. Tem contos e poemas publicados em esperanto, espanhol, italiano e francês. Seus livros estão publicados por pequenas editoras de Fortaleza, São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Florianópolis, Brasília e Campinas. Em um de seus endereços, o blog "Literatura sem fronteira", Nilto escreveu uma postagem a respeito da Ficção Científica e suas opiniões a respeito do Portal 2001.

Abaixo um trecho:


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Mas o que é ficção científica? Para Wilson Martins, “A chamada ficção científica, que não é ficção nem científica, tampouco alcança os planos da literatura porque nela a função catalítica do estilo é, por definição, posta à margem como desprezível”. Pois Tibor Moricz (que não tem o prestígio do intelectual considerado por muitos como o último crítico brasileiro por excelência), em “Gênero X Mainstream”, faz a seguinte observação: “A novela A invenção de Morel, do Bioy Casares, foi desde o início tida como uma obra artística perfeitamente canônica, de um dos maiores autores argentinos. Mas de uns tempos pra cá, e cada vez mais, tem gente dizendo que ela é, também, uma obra de ficção científica. O Poe, por exemplo, no início, quando ainda era vivo, andando bêbado pelas ruas da Filadélfia em busca de um trago, era mais um escritor de gênero (não havia ainda essa concepção naquela época, mas era isso o que ele era) e depois da sua morte, e a partir da importância que Baudelaire deu a ele na França, traduzindo seus textos e escrevendo ensaios sobre ele, promovendo seu nome, passou cada vez mais a ser um mestre da Literatura com “L” maiúsculo, respeitado e incontestado, até ser completamente deglutido pelo Cânone.



Essa mudança de status se dá ao longo do tempo. Assim como A invenção de Morel (Bioy Casares) “desceu um degrau”, Poe subiu. Edifício literário como o de Uilcon Pereira, por exemplo, alcançará algum dia o Cânone? Ou ficará no limbo: nem popular, nem canônico?"



Os males ou os defeitos da ficção científica, o que a afasta do Cânone assim como do mainstream, sua pobreza (como um todo, ressalvadas as peças mais louvadas pela crítica), assim como (em menor grau) da literatura fantástica, sua penúria talvez esteja no distanciamento que o narrador guarda (nelas) de seus semelhantes, dando mais ênfase a objetos (máquinas, naves, etc.), ao espaço sideral e viagens pelo Cosmos, em detrimento dos problemas pessoais (humanos) dos personagens. O leitor se vê diante de seres sem estofo, ocos, quase máquinas, “sem alma”, sem sentimentos, inumanos. Em consequência, a trama foge dos seres e suas ações e sentimentos para se voltar para o espaço, as coisas (espaçonaves), medidas, velocidade, etc. A ação é desvinculada do humano, dos dramas psicológicos. Só mesmo escritores mais criativos conseguem fazer com que a “coisa” sobrenatural e o espaço de atuação do alienígena ou do ser irreal não substituam a pessoa, como na literatura fantástica (o Horla, de Maupassant) ou em José J. Veiga (a estranha máquina extraviada).



Porém, à medida que os cultores desse gênero se aproximam dos modelos da literatura canônica (Casares, Poe) – pela técnica e pelo tratamento literário dos temas, das tramas, etc.), sua “ficção científica” se revela como ficção, como literatura e perde o rótulo renegado pelos acadêmicos e críticos.
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(Ilustração de Dan McPharlin)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sorteio de exemplares do Portal 2001




Rogers Silva, um dos autores do Portal 2001, estará sorteando dia DEZ de dezembro agora, dois exemplares desta edição.
Para participar, basta ser seguidor do blogue de Rogers Silva e deixar seu e-mail nos comentários na postagem deste HIPERLINK.


Boa sorte!


(Vídeo de Rodrigo Novaes de Almeida, outro dos autores da revista.)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sanduba com Queijo e o Portal 2001




"Portal 2001 é um dos números de um projeto encabeçado por Nelson de Oliveira, cujo intuito é garimpar o Brasil e descobrir grandes escritores de ficção-científica. Este Portal 2001, livro que integra o Projeto Portal, é uma das ótimas machadadas de Oliveira neste mundo. Contistas dos quatro cantos do país saem de órbita e entregam ótimos contos fora da realidade. E ainda virão outros Portais.

É um projeto audacioso; quando se fala em ficção-científica, pouco ou nunca nos lembramos de qualquer coisa feita em terras tupiniquins. Por isso digo que o projeto de Nelson, além de audacioso, é certeiro, pois os autores aqui apresentados provam que pode se encontrar sim uma literatura científica de grande qualidade – basta garimpar, basta trabalhar a ‘terra’. Nelson fez isso muito bem, e a colheita é ótima!"

Para ler o resto, clique AQUI.

Obrigado, Bruno!!!


(Trailer de Outland - filme de 81 com Sean Connery. Uma adaptação do faroeste "Matar ou Morrer" (High Noon) em um cenário de FC: uma claustrofóbica estação mineradora em Io, Lua de Júpiter. Foi adaptado para os quadrinhos por Steranko)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O Pai Nerd resenha Portal 2001





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De acordo como o próprio site, o Projeto Portal é uma revista de contos de ficção científica com periodicidade semestral, editada no sistema de cooperativa. A pequena tiragem — duzentos exemplares de cada número — será distribuída entre acadêmicos, jornalistas e formadores de opinião. Serão no total seis números (de papel e tinta, não online). Cada número da revista homenageia, no título, uma obra célebre do gênero: Portal Solaris, Portal Neuromancer, Portal Stalker, Portal Fundação, Portal 2001 e Portal Fahrenheit.

O livro (ou revista, se preferirem), reúne 17 autores, alguns bem conhecidos pelo Fandom e de um modo geral os textos são de boa qualidade,alguns excelentes, indicando o cuidado na seleção dos autores e contos. Se este cuidado tivesse sido um pouquinho maior, a edição seria quase perfeita.
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Confira TODA a resenha de Álvaro Domingues, autor de "Sombras e Sonhos" e do blog do Pai Nerd AQUI!


(Autor da imagem ?; Fonte AQUI)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O escritor Flavio Medeiros disseca Portal 2001



O escritor Flávio Medeiros (Casa dos Vampiros, participação no Steampunk, Vaporpunk, etc) deixou seus comentários na comunidade de Ficção Científica do Orkut, comentários que transcrevo abaixo... acrescentando o diálogo final com o Roberto Causo...

* * *
>Flavio Medeiros:

Dissecando o Portal 2001



Desde já, quero salientar que não me considero um resenhista. Parece-me que essa denominação exige alguns talentos que não creio dominar. Porém, tendo recebido de presente o Portal 2001 (esse é meu primeiro), considero que o mínimo que me cabe fazer é comentar o conteúdo. De um presente o mínimo que se deve fazer é dizer se gostou ou não. No caso de um livro, justificando. No caso específico do Portal, o prefácio me sugere que é isso o que ele espera de mim. Portanto, quero destacar que não estou fazendo nenhuma análise acadêmica. Estou expressando simplesmente meu gosto pessoal, baseado em minha experiência como leitor e escritor de FC.

No geral, contemplando todos os altos e baixos, considero o livro uma das coletâneas de melhor equilíbrio entre os textos dos diversos autores. Há, sim, textos habilmente escritos e outros que revelam imaturidade do escritor. Há textos “limpos” e eloqüentes, outros repletos de recursos heterodoxos, metalinguagem e subversões em vários graus (curiosamente, são muitos em um livro só!), que eu particularmente chamo de “pirotecnia literária”, e que às vezes comprometem a qualidade e a compreensão. Não que isso seja ilícito ou defeito; mas, volto a dizer, o conteúdo deste texto obedece a uma questão de gosto pessoal.

Há textos de FC e outros de não-FC. Ainda que me pareça que a proposta da coletânea é exatamente a FC, isso não está explícito em nenhum lugar, nem no prólogo, poderia argumentar algum “cri-cri” de plantão. Mas considero sugestivo que os textos que considero de não-FC na maioria das vezes tentam se disfarçar de FC. Fico imaginando o propósito disso. Ser aceito na coletânea? Um escritor de outros gêneros tentando ainda timidamente se arriscar na literatura de FC? Bom, de qualquer forma o efeito final é como aquele cara que nunca ouviu falar de Tatooine, e se fantasia de Darth Vader apenas para paquerar as meninas em uma convenção de Star Wars.
Bem, sem mais delongas, vamos a minhas humildes impressões.

BRAULIO TAVARES – Como eu costumo dizer, “o Braulio é o Braulio”. Seus textos, comigo, são sucesso garantido. Neste Portal, onde alguns autores participam com mais de uma obra, o leitor tem a oportunidade rara de comparar o escritor com ele mesmo, identificando cacoetes, tendências e particularidades de estilo. Curiosamente, Braulio participa com três textos curtos que têm, cada um deles, individualidades marcantes.
(1) A República do Recurso Infinito – Uma pérola da burocracia futurista, consagrando a sobriedade do absurdo. Gostei muito do clima meio kafkiano. O melhor dos três.
(2) Universos Tangenciais – Sonho dentro de sonho. O mais despretensioso dos três textos, onde não percebi o som habitual das engrenagens rodando dentro do cérebro do autor.
(3) Aquele de Nós – A volta para o externo, tendência típica da cultura atual, levada ao extremo pelo recurso da projeção no futuro que a FC possibilita, chegando ao cúmulo da institucionalização do coletivo psicológico. Gostei muito.

ARRIBAÇÃO RUBRA [Roberto de Sousa Causo] – Um dos bons textos do livro, de um dos nossos autores de FC mais experientes. Cenário e personagens consistentes. A única crítica negativa que faço, que tem se repetido em minhas leituras dos textos curtos do Causo, é que o conto me parece um pedaço de algo bem maior. É como ser obrigado a sair do cinema na melhor parte de um filme bom. Decidi que amanhã começo a ler o “Selva Brasil”. Preciso escapar dessa imagem claustrofóbica do Causo...rs*

A PAZ FORÇADA [Mayrant Gallo] – Alguns pequenos anacronismos, que não comprometem essa boa FC em tom irônico e alegórico. Achei um bom texto para apresentar, por exemplo, a leitores do mainstream relutantes em relação à nossa subliteratura predileta.

ALÉM DO ESPELHO [Claudio Parreira] – Realismo fantástico ou fantasia realista? Gostei muito desse texto, que faz uma releitura inteligente e bem humorada de alguns antigos mitos. Desceu redondo.

SENTINELA [Delfin] – FC bem construída, que veio crescendo com perfeição... até o final, que eu achei um pouco decepcionante. Merece, entretanto, uma leitura atenta.

MUSTAFÁ ALI KANSO – Este autor, que eu não conhecia, participa com dois textos. Como escritor me deixou uma ótima impressão.
(1) Herdeiro dos Ventos – Excelente, deliciosa fantasia que homenageia (explicitamente) os escritores de FC. Um dos pontos altos do livro.
(2) Uma Carta Para Guinevere – Esse conto é curioso. Começou frio, uma nave tentando vencer as resistências da gravidade e da atmosfera, forçando o jargão, até que rompe as amarras e acelera para as estrelas. Grande Mustafá!

BRONTOPS BARUQ – Outro que não conheço, que participa com dois textos. Este é um autor que abusa um pouco da pirotecnia. Um cozinheiro que você percebe que cozinha bem, mas que abusou um pouco nos temperos.
(1) Planetas Invisíveis: Diana – Achei mais ou menos. Muito florido, mas senti falta de um centro de gravidade consistente para a trama girar ao redor. O plot não me pegou.
(2) Rebobinados – Gostei muito, mas aqueles números espalhados no texto me irritaram profundamente. Atrapalham minha adesão ao texto, que é uma condição básica que o escritor tem que buscar no leitor. Eu gostaria muito de ver esse mesmo texto desenvolvido de maneira mais ortodoxa, sem “firulas”. Pela qualidade, merece.

PROMETEU ACORRENTADO REBOOT [Sid Castro] – Embora um pouco clichê, achei bem escrito e bem bolado. Como ressalva, apenas o que me pareceu uma curiosa fascinação do autor pelo “technobabble”. Mas seus esforços em nome da coerência me pareceram bem recompensados.

NOVO INÍCIO [Marcelo Bighetti] – Pesquisa minuciosa, porém explícita com algum exagero. O excesso de explicações em alguns momentos afasta o leitor da trama. Boa exploração, até onde percebi, de duas grandes e clássicas teorias de conspiração. Só o final achei fraco, talvez porque, a partir de dado momento, as coisas começaram a correr mais atropeladamente. Ficaria melhor, mais equilibrado, acelerando o início e freando no final.

RODRIGO NOVAES – Também participa com dois textos. Não o conhecia, mas realmente não me fisgou. Me pareceu muito mais interessado na forma do que no conteúdo.
(1) Contato Alpha 9 – O problema é o seguinte: não há jeito, conto é uma leitura rápida. Você tem que encontrar uma forma de fisgar o leitor o mais rapidamente possível. Quando, por excesso de pirotecnia, o leitor não se envolveu até o meio da segunda página, começa a perder o interesse; na página seguinte, o texto começa a perder a importância. Daí pra frente é perda de tempo.
(2) Zaratustra – O que é isso, companheiro? Zaratustra pirou, ou foi Rodrigo? Nunca espere que o leitor seja obrigado a destrinchar cada palavra do seu conto como se fosse a Revelação das Revelações. Porque não é.

MARIA HELENA BANDEIRA – Participa com cinco pequenos textos. Há muito tempo eu não lia nada dessa autora veterana. Esses cinco contos foram um colírio. Algumas características em comum podem trair, a meu ver, o estilo da autora: um humor sutil como pano de fundo, que vez ou outra salta na forma de humor negro; personagens em transformação, vivendo situações onde se surpreendem junto com o leitor. FC de excelente safra.
(1) Neve e sanduíches – O oposto daquelas características de textos anteriores que não me agradam. Um texto curto em prosa discreta (a autora permite que o texto apareça mais do que ela própria), que te fisga rapidamente logo no início, e dá o recado com muita competência. Uma aula de texto curto de FC.
(2) A gruta de Vênus – Divertidíssimo e surpreendente. Lembram que falei em humor negro? Então...
(3) Eblon – Uma velha história de relacionamento em uma novíssima roupagem. E é FC.
(4) Mãos de borracha – Conto ágil, leve e divertido. Senti pena do protagonista.
(5) Quem sabe? – Humor negro cyberpunk na veia, yeah!

MARCO ANTÔNIO DE ARAUJO BUENO – Também não conhecia este autor. Bom escritor. Mas mesmo após ler seus três contos do livro, ainda não sei se ele escreve FC.
(1) Sem Nome – Prosa fluente e bem escrita. Gênero? Um conto, digamos, psiquiátrico.
(2) Arquivo Truncado – Sabe a impressão que me ficou? Um ator romântico perdido num cenário de space opera. Sobre o recheio do “quem sou eu”, desfilam vários clichês daquele gênero da FC.
(3) Seguimento dezenove – Gostei desse, e da forma como foi desenvolvido. Mas sorry, também não é FC.

PRIMEIRO DE ABRIL : CORPUS CHRISTI [Luiz Brás] – Aqui temos um melhor equilíbrio entre a pirotecnia e a FC. Com metáforas bem divertidas. Gostei desse conto.

DANIEL FRESNOT – Participa com três textos. Não o conheço, mas ficou-me a impressão de ser um escritor jovem. Escreve bem, mas constrói seus personagens e situações de forma imatura. Os três contos parecem ser protagonizados pelo mesmo personagem (ou pelo próprio autor?), tais são suas modalidades psicológicas e sua forma de expressão.
(1) Exit – Isso É FC, mas não num bom sentido. Como é possível que dois cosmonautas, retratados como estando entre os melhores, podem se expressar, agir e pensar de forma tão estúpida e infantil, a ponto de deixarem essa estupidez fenomenal conduzi-los a uma armadilha fatal?...
(2) A Vida Sexual dos Dinossauros – Esse conto evocou em mim uma sensação de nostalgia. Escrevi um conto assim anos atrás, usando os mesmos dinossauros, a mesma premissa e o mesmo fechamento. Eu estava no fim da adolescência, e era uma redação escolar a que dei o título “Dinossauros”. Como conto despretensioso, é interessante. Mas fazendo engenharia reversa, percebo que esse escritor tem um bom potencial.
(3) Convenção – O mais honesto, mais amadurecido e melhor dos três. Não é FC, mas é sobre FC, e de forma bem apropriada para figurar no livro.

RICARDO DELFIN – Também comparece com três (bons!) contos, mas só o terceiro reconheci como FC.
(1) Destino – Conto divertido e muito bem escrito. Mas troque meia dúzia de palavras e você tem o mesmo conto ambientado no bom e velho oeste americano.
(2) Futuro do Pretérito – A idéia é interessante e a trama se desenvolve de forma competente. Mas não engoli que a maneira como o autor trata a questão do tempo confere credibilidade para afirmar que é FC.
(3) Gazeta Marciana – Ah, este sim! Se observarmos a diferença entre eles, veremos que só o terceiro conto contém elementos profundamente enraizados na trama o suficiente para afirmarmos que aqui temos uma história onde a FC é sine qua non. E de ótima qualidade, por sinal.

AMOR-PERFEITO [Rogers Silva] – Não gostei. A pirotecnia usada aqui tem chance de dar certo, mas você precisaria ser o Saramago. Falar de passagem aqui e ali sobre um suposto apocalipse não transforma o texto em FC. Na segunda página o(a) protagonista se descortinava ante meus olhos como um insuportável chato lamuriento, e eu daria ao conto o nome de “Amor Doentio”.
Mais uma vez agradeço o recebimento do Portal 2001, e parabenizo os organizadores pela qualidade e pelo projeto em si.

>Causo:

Esclarecendo apenas que "Arribação Rubra" é a quinta aventura da heroína Shiroma, em uma série que está sendo desenvolvida dentro do Projeto Portal do Nelson de Oliveira. No "Portal Solaris" apareceu a primeira história, "Rosas Brancas"; na "Portal Neuromancer", a segunda, "Concha do Mar"; a terceira, "O Novo Protótipo", apareceu na "Portal Stalker"; a quarta, "Cheiro de Predador", na "Portal Fundação". A última revista do projeto será a "Portal Farenheit", que também deverá trazer uma aventura de Shiroma. "

>Flavio Medeiros:

Pô, Causo, agora sinto-me prejudicado pegando a novela pelo meio. Vê se compila tudo isso um dia e lança em sequência. Quanto ao "Selva Brasil", já passei da metade, e vai indo muito bem."

>Causo:

"Vê se compila tudo isso um dia e lança em sequência."
Está nos planos... "


(Fonte Imagem > Morbid Anatomy )

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Sem nome




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Como pode ter certeza? Mas soube que foi até os ufólogos. Isso sim é que soa arcaico. O único extraterrestre em sua vida sou eu.
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Marco Antônio de Araújo Bueno. Portal 2001.

sábado, 16 de outubro de 2010

Amor Perfeito




Rogers Silva. Portal 2001






(imagens do desenho francês Les Maîtres du temps, 1982)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Portal 2001 no Meia Palavra





Lucas Deschain do blog e do Fórum Meia Palavra dá suas impressões sobre o Portal 2001. Trecho abaixo:


"A constatação de nossa finitude e da constituição química e física de nosso ser não nos impede de analisarmo-nos a luz de outras instâncias, como a espiritual, mística ou cósmica. Porém, o mistério (ou a contradição) desse questionamento aflige a qualquer um que se lance em tal jornada. Nenhum lugar melhor para a contemplação desse esfíngico enigma do que na solidão espacial."

O Lucas dividiu a resenha em três partes:
Primeiro AQUI, depois ALI, e finalmente LÁ


Obrigado Lucas!


(Imagem Stefan Morrell, via Capacitor Fantástico)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Herdeiros dos Ventos




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Com alegria conversava com os animais, relatando cada livro que lera. Falou sobre o Minotauro para as vacas, contou sobre Circe para os porcos, descreveu as sereias para as carpas. Jasão era um assunto para as ovelhas e Tróia, tema predileto dos cavalos.
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(Imagem Origami de Kamiya Satoshi. Via SUPERPUNCH!)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Portal 2001 na R.Izze.nhas





"Para celebrar a ficção científica e, ao mesmo tempo, divulgar novos escritores, foi criado o Projeto Portal. Trata-se de uma revista distribuída gratuitamente entre ávidos leitores amantes do gênero sci-fi dividida em seis volumes semestrais que homenageiam grandes escritores e obras. A última edição organizada por Nelson de Oliveira foi a Portal 2001, referindo-se, claro, a 2001 – Uma Odisséia no Espaço. Entre passado e futuro, monstros e humanos, vemos diversas abordagens da ficção científica que juntas podem compor uma bela viagem pelo espaço."


Para ler o restante, clique AQUI.


(Fonte da Imagem: Nodo50)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A República do Recurso Infinito




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"Do Departamento dos Certificados você talvez seja remetido ao Instituto de Antropometria, onde seu corpo foi registrado ao nascer. Depois irá para o Departamento de Genética Cotidiana, onde fará exames de sangue, DNA..." Yoseph murmurou: "Isso demora? Sou um homem ocupado." O vendedor riu: "Todos somos ocupados, mas nenhum de nós é inocente."
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Bráulio Tavares. Portal 2001



(Imagem: Brazil, o filme)

domingo, 26 de setembro de 2010

Primeiro de Abril: Corpus Christi



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Segue-se uma série de breves convulsões superficiais, epidérmicas. Várias avenidas serpeiam, muitas torres de transmissão se curvam, alguns edifícios trincam e por pouco não vêm abaixo. Gemido geral: o complexo urbano uiva. Na extremidade oeste do bairro, os semáforos e os painéis luminosos emitem alertas em código, alfanuméricos, morosos, alertas que só os caixas eletrônicos e as catracas do metrô conseguem decodificar.
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Luis Bras. Portal 2001.


(Imagens do trecho sobre "Arquitetura e Urbanismo" do Codex Seraphinianus, de Luigi Serafini)

sábado, 25 de setembro de 2010

Prometeu acorrentado reboot



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Durante horas, sobrevoei mares que conteriam Pacíficos, ilhas que engoliriam Eurásias. Sobre elas encontrei os primeiros sinais de vida: florestas não-vegetais de seres autotróficos que desconheciam a fotossíntese, retirando energia de diferentes quimiossínteses. Abrigavam uma fauna de animais de todas as formas e tamanhos, que enxergavam em outra faixa do espectro que não a luz visível.
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Imagem National Geographic

domingo, 19 de setembro de 2010

Seguimento 19






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Minutos antes de uma hora impossível da manhã, o homem renitente submerge d´algum vão de escadaria do metrô em qualquer plataforma que rasga dos mais de seiscentos quilômetros da malha de New York.
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Fosse de Tóquio, de Londres, ele viria surgindo igualmente íngreme; de Moscou - duzentos e cinquenta quilômetros - tê-lo-íamos visto desenfurnando-se também, a distar meio metro dos demais transeuntes, outros seres; seus concidadãos...
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Onde quer que haja boa malha no que foram grandes cidades, e não tenham, ainda, engolido a si próprias nessas dobraduras subterrâneas, ele, o homem renitente, terá brotado de novo aí para desaparecer outra vez mais adiante e sempre.
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Marco Antônio de Araújo Bueno. Portal 2001




Imagens>: World Subways at Scale

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Comentários de Tibor Moricz sobre o Portal 2001




"Quanto ao Portal 2001, recebi e o li quase numa só tacada (tá, uma tacada que demorou uns cinco dias… rs). Gostei bastante desse, talvez mais que dos demais. Ainda assim há contos que não conseguiram dialogar comigo, nada tiveram a me dizer."

Clique AQUI para ler os comentários de Tibor Moricz para os contos que ele mais gostou.



(Imagem "Scoutship Pilot", por JIM BURNS, via Sci-Fi-O-Rama)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Impressões Portal 2001 pelo blog "Além das Estrelas"





Daniel Borba chefia o blog "Além das Estrelas", que pretende ser um espaço para colocar suas ideias, pontos de vista e compartilhar as coisas gosta: ficção científica, cinema, quadrinhos, astronomia, física.

Ele transmitiu suas impressões sobre o Portal 2001 NESTA postagem, de onde extraí o seguinte trecho:


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Recebi recentemente para leitura o Portal 2001, uma revista de FC editada por Nelson de Oliveira e com periodicidade semestral. Esse é o quinto volume, e cada uma das revistas (serão 6, ao todo), homenageia uma grande obra: Portal Solaris, Portal Neuromancer, Portal Stalker, Portal Fundação, Portal 2001 e Portal Fahrenheit.

A primeira impressão que tive ao bater os olhos na “revista” é que ela está mais para livro do que para revista. São 150 páginas e “cara”de livro.

Agora, ao começar a ler os contos de Portal 2001, minha primeira impressão foi que a leitura não é fácil. Os contos são trabalhados e bem escritos mas precisam de atenção. Não dá pra ler com pressa ou distração. Mas quem realmente gosta de FC vai se deliciar com a revista. Quem prefere leituras fáceis talvez não curta tanto.
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A vida sexual dos dinossauros




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Vocês imaginem que o sexo de um Ultrassaurus macho, com seus cinquenta metros do focinho até a ponta do rabo, devia pesar uns trezentos quilos.
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Daniel Fresnot. Portal 2001.





(Não, não é o crânio de um Ultrassaurus)

sábado, 11 de setembro de 2010

A Paz Forçada


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Discretamente observadas pelos seus seguranças e empregados, as duas famílias se dirigiram à linda casa de veraneio, onde, nas próximas quatro semanas, esqueceriam suas obrigações e, talvez, o mundo.
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Mayrant Gallo. Portal 2001


(Imagem de Carlos Americo Kogl, extraída do blog do Mayrant, "Não Leia!")


P R O J E T O P O R T A L B L O G F E E D