Projeto Portal foi uma revista de contos de ficção científica com periodicidade semestral, editada no sistema de cooperativa durante os anos de 2008 e 2010. A pequena tiragem — duzentos exemplares de cada número — foi distribuída entre acadêmicos, jornalistas e formadores de opinião. Seis números (de papel e tinta, não online). O título de cada revista homenageou uma obra célebre do gênero: Portal Solaris, Portal Neuromancer, Portal Stalker, Portal Fundação, Portal 2001 e Portal Fahrenheit.


Idealização: Nelson de Oliveira | Projeto gráfico e diagramação: Teo Adorno
Revisão: Mirtes Leal e Ivan Hegenberg | Impressão: LGE Editora

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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Voyager 2 e a saudação de paz dos terrestres






(Texto de Steven Pinker dentro do livro "Como a mente funciona" (Cia das Letras). Itálicos meus)


"Em algum lugar além das fronteiras de nosso sistema solar, arrojando-se pelo espaço interestelar, há um fonógrafo e um disco dourado com instruções hieróglifas na capa. Foram colocados na sonda espacial Voyager 2, lançada em 1977 para nos transmitir fotografias e dados dos planetas distantes de nosso sistema solar. Agora que passou por Netuno (o livro foi escrito originalmente em 1997) e sua emocionante missão científica está encerrada, ela serve como um cartão de visita interplanetário que deixamos para algum viajante espacial extraterrestre que possa vir a pescá-la.

O astrônomo Carl Sagan foi o produtor do disco; ele escolheu imagens e sons que sintetizam nossa espécie e nossas realizações. Sagan incluiu saudações em 55 línguas humanas e uma "língua de baleia" (assistam a Procurando Nemo e o baleês), um ensaio sonoro de doze minutos composto do choro de um bebê, de um beijo e de um registro de eletroencefalograma das meditações de uma mulher apaixonada, além de noventa minutos de música, com exemplos de diferentes culturas do mundo: mariachi mexicana, flautas-de-pã peruanas, raga indiana, um cântico noturno navajo, uma canção de iniciação para meninas pigméias, uma música sakuhachi japonesa, Bach, Beethoven, Mozart, Stravinsky, Louis Armstrong e Chuck Berry cantando "Johnny B.Goode".

O disco também envia uma mensagem de paz de nossa espécie para o cosmo. Em um involuntário ato de humor negro, a mensagem foi proferida pelo secretário-geral das Nações Unidas na época, Kurt Waldheim. Anos depois, historiadores descobriram que Waldheim passara a Segunda Guerra  Mundial como oficial do serviço secreto em uma unidade do exército alemão que perpetrou represálias brutais contra guerrilheiros da resistência nos Bálcãs e deportou a população judaica de Salonica para campos de concentração nazistas. É tarde demais para chamar a Voyager de volta, e essa piada sarcástica sobre nós circulará para sempre pelo centro da Via Láctea."


domingo, 28 de outubro de 2012

Colecção Argonauta






(Capa de "O Mundo dos Draags" de Stefan Wul, que originou "O Planeta Selvagem" ou "O Planeta Fantástico" de René Laloux)




O blog da "Colecção Argonauta" pretende ser "... uma homenagem (...), um memorial que esperamos possa contribuir para esclarecer possíveis dúvidas relativas aos números publicados, bem como constituir um espaço de partilha, onde comentários relativos às obras possam ajudar a enriquecer o vasto universo de memórias aqui reunido."

Segundo o Wikipedia, a Colecção Argonauta foi publicada de 1954 até 2006 com 563 edições de bolso, repleta de figurinhas e figurões (Aldiss, Heinlein, Bradbury, Asimov, Farmer, Clarke, Herbert, Dick, Le Guin, Ballard, Capek). Parece piada, mas apesar de ser publicada por uma editora chamada "Livros do Brasil", a venda dos livros era "interdita na República Federativa do Brasil".  Proibida ou não, parte da coleção chegou ao país, conforme vemos neste artigo - já um tanto antigo (2006) - de Roberto de Sousa Causo para a Terra Magazine, "A Leitura faz o Leitor" que reproduzo (copio/colo) aqui embaixo.

"
Quando comecei a participar da comunidade brasileira de ficção científica, lá por 1983, foi difícil para mim entender o fascínio que a Coleção Argonauta exercia sobre os outros fãs - especialmente os mais velhos, reunidos em torno do Clube de Leitores de Ficção Científica.

Eu pouco ouvira falar da coleção - afinal, cresci lendo a FC encontrada na série alemã Perry Rhodan, nos livros de FC da Hemus, na coleção Mundos da Ficção Científica, e nos livros de FC publicados pela Bolsilivros que eu podia encontrar em bancas de revista na cidade interiorana em que vivia.

De fato, só passei a compreender o encanto que a Argonauta exercia sobre os fãs mais velhos a partir do instante em que me voltei para o meu próprio fascínio por Perry Rhodan e pela Mundos da Ficção Científica, e percebi que cada geração tem a sua coleção ou as suas coleções formadoras.

Isso acontece porque, em geral, o fã de FC é alguém que retorna seguidamente ao seu interesse pelo gênero e nisso, ele precisa ser alimentado de alguma maneira. Nos Estados Unidos, tal papel por muito tempo coube às revistas especializadas. Ainda hoje elas são o celeiro dos melhores autores e dos fãs mais fiéis. Já em outras partes do mundo - especialmente no mundo de fala portuguesa ¿ o papel muitas vezes cabe às coleções.

A Argonauta, da Livros do Brasil (Portugal), certamente se salienta nessa tarefa de gerar e manter os fãs do gênero por sua antigüidade, periodicidade e pelo preço em geral acessível. Houve um tempo em que seus livros chegavam a uma boa parcela das livrarias brasileiras, e até mesmo a algumas bancas de revista, se não estou enganado.

No final da década de 1980, eles começaram a escassear e, durante os anos noventa se concentraram em umas poucas livrarias que ainda buscam permitir que os leitores brasileiros mantenham contato com o mundo editorial português. Em uma delas, a saudosa Livraria Paisagem, o Clube de Leitores de Ficção Científica realizou suas reuniões mensais por muitos anos. Outra é a Themus Livros, também de São Paulo.
O CLFC, aliás, também nasceu associado ao fenômeno dessa coleção ¿ em 1985 o fã R. C. Nascimento publicou em edição do autor o livro Quem É Quem na Ficção Científica Volume I: A Coleção Argonauta, com a famosa ficha de inscrição na última página, pedindo que outros fãs lhe escrevessem para montar o que ele chamou de "Clube de Leitores de Ficção Científica".

Nascimento escolheu bem a plataforma para o seu gesto de comunicação com outros fãs - aparentemente a Argonauta já despertava paixões entre pessoas que não se conheciam, e que se sentiram entusiasmadas com a descoberta de outros "semelhantes".

E assim foi que a Coleção Argonauta se tornou o componente de uma subcultura nacional que, por suas origens, comunica-se com uma vasta subcultura global formada por fãs de FC e fantasia em todas as partes do mundo.

Não sei se o apelo da coleção é tão forte em seu país de origem quanto o é entre nós, pois Portugal teve e tem várias coleções de importância e prestígio, algumas mais conhecidas dos fãs mais jovens, como a Ficção Científica Europa-América, e a Caminho Ficção Científica; esta última, agora cancelada, foi por um bom tempo o refúgio derradeiro do autor de FC em língua portuguesa, em ambos os lados do Atlântico, pela atuação do editor António Belmiro Guimarães.

Voltando à tese destas linhas, cada geração de fãs possui em coleções distintas os seus formadores, os motivadores daquela chama insubstancial e de difícil definição, que faz o fã de FC.

A Argonauta certamente formou a geração mais nobre do fandom brasileiro - fãs empreendedores como o próprio Nascimento, que, ao fundar o CLFC, criou uma pequena revolução; seu parceiro nos anos iniciais, Ivan Carlos Regina; e outros que se alternaram na direção do clube, incluindo Luiz Marcos da Fonseca e Humberto Fimiani.

Mas o que isso significa?

Em parte, a certeza de que os escritores publicados na Argonauta detém um lugar especial no coração desses fãs. Autores como Clifford D. Simak, Robert A. Heinlein, A. E. van Vogt, Isaac Asimov, Ray Bradbury, Philip José Farmer, Ursula K. Le Guin, Robert Silverberg, Frederik Pohl, Philip K. Dick e mais um monte de autores franceses, provavelmente conhecidos apenas dos leitores da Argonauta. Nesse mesmo sentido, significa que o tipo de FC encontrada na coleção tem igualmente um lugar especial no coração desses fãs. A coleção se tornou um lar para todos eles.

Talvez aqueles que, como eu, devem algo a Perry Rhodan, FC Hemus, e à Mundos da Ficção Científica, tenham outros autores e uma outra ficção científica em mente - embora muitos deles tenham aparecido também na Argonauta.

Mas não acho que isso cause um, digamos, "abismo" entre gerações de fãs brasileiros. O que parece ser o problema maior passa longe dessa consideração. Ao contrário, ele se refere justamente ao fim das coleções no Brasil, e a dificuldade das coleções portuguesas em serem distribuídas e lidas aqui. Sem um lar, sem um abrigo, como podem os novos leitores, os novos fãs, surgirem?

Minha suspeita é de que não podem. A ponte fica incompleta, então. Aqueles fãs que já estão por aí há algum tempo cada vez mais recorrem aos livros em inglês, mas eles já passaram pelo seu período formador lendo alguma coisa em português, a Argonauta provavelmente.

O futuro da comunidade brasileira de FC se torna uma incógnita. Haverá uma nova geração, e formada através do quê? Do cinema, que parece ter destruído a FC nesse meio, justo agora que as imagens geradas por computador prometem um realismo nunca antes alcançado pelo gênero - e níveis de imbecilidade também nunca alcançados, nem mesmo na infantil FC da década de 1950? Serão os novos fãs garimpeiros de sebo, revirando o passado editorial brasileiro e português, em busca do que os inspire?

Resta torcer para que surja uma outra coleção, como aquela prometida este ano pela Devir, de São Paulo."


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Space Walk



Link
(A voz sampleada nesta música de Lemon Jelly pertence a voz do astronauta Ed White em sua caminhada espacial durante o Programa Gemini. Algum tempo depois (1967), Ed morreria em um incêndio na Apolo I. Via Sci-Fi-O-Rama em uma postagem sobre um álbum chamado "To the Moon")

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A Extinção dos Tecnossauros



A Extinção dos Tecnossauros, do italiano Nicola
Nosengo, Editora Unicamp. Ótimo livro.

Texto da Quarta Capa

"Este livro nasce da idéia de que se pode compreender, na verdade, a transformação tecnológica apenas observando dela o lado menos iluminado: seus becos sem saída, suas derrotas. Tecnologias que teriam mudado o mundo e permaneceram confinadas nos laboratórios, produtos que o mercado recusou, máquinas que, após terem sido usadas cotidianamente por décadas, desapareceram e hoje se encontram apenas nos museus. Dinossauros tecnológicos, enfim: tecnossauros. O intento não é este, tão fácil quanto inútil, de dessacralizar ciência e técnica, fazendo escárnio, a posteriori, de algum projetista azarado ou de uma pesquisa de mercado errada; é muito mais o que aproveitar dos fracassos, que são momentos de crise de um sistema, para evidenciar os lugares-comuns nos quais se baseia a nossa percepção da inovação tecnológica. É justamente quando um sistema entra em crise que se abre uma brecha para entendê-lo, porque tudo aquilo que era normalmente dado como certo se revela de repente falso." (negrito meu)


Uma resenha do Digestivo Cultural AQUI.

Além de analisar a história de objetos como o fax (concebido e montado no século XIX - !!!), o livro se dedica também a explorar porque algumas tecnologias sempre "esperadas" pela ficção científica NÃO emplacaram e talvez NUNCA emplaquem: Carros Elétricos e Carros Voadores e Videofones...

(Foto Carro Elétrico em 1904, via Wikipedia)

terça-feira, 19 de julho de 2011

Índios Cyberpunks



Esta foto não é de um filme. É uma campanha publicitária australiana para um empresa chamada ColorChiefs... Mas acabou servindo de "moldura" para alguns fatos interessantes desta postagem do Coilhouse: estranhas trocas entre tecnologia e pensamento místico. Por exemplo, durante a Segunda Guerra, primitivos ilhéus melanésios "mimetizaram" o comportamento dos soldados de exércitos estrangeiros, chegando a simular marchas militares com rifles recuperados ou feitos de madeira e usando até falsos fones de ouvido de madeira.


Via How to be Retronaut e Coilhouse

terça-feira, 12 de abril de 2011

Gagarin


Hoje (12 de abril de 2011) faz 50 anos que alguém descobriu que a Terra é azul.





Especial da Folha AQUI. Notícia no Estadão AQUI. Neste site (seria russo, mas está em português)?, lembranças de Gagarin no Brasil.

E, no You Tube, Gagarin tomando cafezinho no Brasil em imagens - provavelmente - da TV Tupi em 1961.


(A imagem veio daqui, via "Hey Oscar Wilde!")

sexta-feira, 25 de março de 2011

História do Futuro


(Texto do Cilindroide, de Cirilo S. Lemos)

"Cheguei até este infográfico cthullhesco através de um tuíte do Octávio Aragão. Pensei em um monte de maneiras de imprimir essa imagem e colocar numa moldura, tão impressionado fiquei. A imagem está na página da Wired. Clique aqui para apreciar essa belezura em alta definição. Um desafio: tente ler todas as referências ali e encontrar as repetidas (é, eu fiz isso). Em tempo: o autor dessa belezura é Ward Shelley."



quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A Máquina Diferencial de Babbage



Em 1991, o Science Museum em Londres construiu a máquina diferencial de Babbage n° 2 para uma exposição sobre a história da computação. Outras informações sobre Charles Babbage AQUI

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Buck Rogers no século XXV



(Tira dominical extraída do Pequenas Imagens)


"Buck Rogers surgiu na literatura com o nome de Anthony Rogers, na história Armageddon 2419, publicada na edição de agosto da revista "Amazing Stories". Foi criado pelo escritor Phillip Francis Nowlan, nascido em 1888, em Filadelfia, Pensilvânia. Nowlan voltou a usar o personagem em outra história, "The Airlords of Han", publicada na edição de agosto de 1928 na revista "Amazing Stories". Armageddon 2419 foi uma das histórias que inauguraram um novo sub-gênero na ficção científica: a space opera. Nowlan também escreveu os roteiros da versão em quadrinhos, até morrer, em 1940."

(Texto extraído do InfanTV)


"Atualmente vemos em toda parte histórias em quadrinhos de ficção científica, isto é, aquelas que mostram coisas fantásticas do mundo futuro. Mas... qual terá sido a primeira história deste gênero? Buck Rogers, em 1929. (...) Buck Rogers é um homem do século XX que sofre um acidente numa mina e fica sob a ação de um gás misterioso: seu corpo entra, então num estado de "animação suspensa" durante quinhentos anos e ele vai acordar no século XXV.

O mundo que Buck Rogers encontra está totalmente mudado: cidades fabulosas, algumas recobertas com imensas redomas de "vidro metálico"; carros flutuantes controlados pelo cosmoimã e com direção automática. O rádio é a base de tudo, com suas oscilações eletrônicas, inframagnéticas e cósmicas."

(Texto extraído do Manual do Mickey, Editora Abril, 1973)

"No bucks, no Buck Rogers"
("Sem dinheiro, sem astronautas" foi a legenda)

(Ouvido no filme "Os Eleitos" de Philip Kaufman, baseado na obra de Tom Wolfe sobre a história da corrida espacial)

sábado, 22 de janeiro de 2011

O Futuro também é nosso, por Antonio M. C. Costa




Texto do crítico, escritor e colunista da Carta Capital, Antonio Luiz M.C.Costa sobre a obra de Roberto de Sousa Causo, Ficção Científica, Fantasia e Horror no Brasil, 1875 a 1950 (UFMG, 2003):

"Vários autores brasileiros já pensaram sobre a ficção científica (FC) e sua história, como Raul Fiker (Ficção Científica - Ficção, Ciência ou uma Épica de Época?, L&PM, 1985), Gilberto Schoereder (Ficção Científica, Francisco Alves, 1986), Léo Godoy Otero (Introdução a uma História da Ficção Científica, Lua Nova, 1987) e Braulio Tavares (O que É Ficção Científica, Brasiliense, 1992). Essas obras, porém, foram breves introduções ou guias de leitura para fãs do gênero, presas demais a seus critérios e convenções.

A obra de Roberto de Sousa Causo, Ficção Científica, Fantasia e Horror no Brasil, 1875 a 1950 (UFMG, 2003), projeto orientado por professores da Faculdade de Letras da USP, é a primeira a abordar especificamente a FC no Brasil e a considerar a teoria literária e a história social para colocá-la em um contexto mais amplo. Sem nada da estrutura rígida e indigesta de uma típica tese acadêmica, é uma leitura agradável e reveladora para aficionados da FC e da cultura brasileira e uma nova referência para historiadores da cultura e críticos literários.

Causo delimitou seu objeto de estudo – a ficção especulativa – de uma forma não usual para a crítica literária tradicional, nem para a maioria dos autores e fãs do gênero. Não se trata de uma subliteratura menor e ou de fuga kitsch da realidade. Também não é necessariamente marcada pela antecipação do futuro, pela promoção de utopias ou pelo uso e valorização da ciência. Não é um gênero encerrado em convenções tradicionais, como o das histórias de detetive.

A característica que define a ficção especulativa é a figuração de mundos além dos cânones da experiência comum e da noção costumeira de “real”, mas que têm, cada um deles, uma lógica com a qual o leitor precisa se familiarizar e que o autor se obriga a manter – dentro de determinado texto, bem entendido (é comum que obras do mesmo autor proponham realidades contraditórias). Certamente não são ficções arbitrárias nas quais “tudo pode acontecer”.

Um exemplo é o subgênero da FC recentemente fundado pelo romance The Difference Engine (1991) de William Gibson e Bruce Sterling, geralmente chamado de steampunk, do qual os filmes As Loucas Aventuras de James West e A Liga Extraordinária são subprodutos paródicos. Desenvolve um século XIX alternativo, no qual a tecnologia do vapor teria ido muito além do que historicamente foi.

Existiriam computadores como os projetados por Charles Babbage em 1832 e as máquinas maravilhosas sonhadas por Jules Verne e H. G. Wells, junto com os preconceitos e os problemas políticos e sociais da era vitoriana. Esse mundo não pertence ao passado, ao futuro, nem ao espaço interestelar. Não é uma utopia nem uma sátira no sentido convencional. É uma ficção que, entre outras coisas, relativiza o nosso “cronocentrismo” e faz ver nossa própria realidade sob outra luz.

Além da ficção científica propriamente dita, que especula sobre desenvolvimentos das ciências naturais e da tecnologia (em sua vertente hard), ou da cultura e da sociedade (na versão soft), cabem nessa definição seus gêneros irmãos, a fantasia e o horror.

Nessa perspectiva, obras como a Odisséia de Homero, a História Verdadeira de Luciano de Samósata e as Viagens de Gulliver de Jonathan Swift, bem como as incursões no fantástico de escritores canônicos, como Machado de Assis (O Imortal), são precursores e modelos legítimos para a ficção especulativa moderna que, mais que a manifestação específica de uma época, é a continuação de uma tradição paralela à da corrente principal da literatura.

Como marco inaugural do romance científico no Brasil, Causo indica O Doutor Benignus (1875), de Augusto Emílio Zaluar, escrito para jornais do Rio de Janeiro. Foi confessadamente influenciado por Verne e pelo astrônomo Camille Flammarion, mas já mostrava características típicas das primeiras gerações de assimilação brasileira do gênero."

Descobri o texto através do blog do Capacitor Fantástico... Mas a melhor reprodução está neste LINK aqui, que contém links para trechos de algumas das obras citadas.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Algumas listas...



"A boa notícia é que ela está grávida" (De Mike Jacobson - Via Neatorama)

* * *

Coisas fáceis de achar na Internet são as listas... Top 10, Top 5, todo mundo quer fazer sua própria relação de alguma coisa. Uma boa forma de ser superficial e abrangente ao mesmo tempo... bem ao gosto de nossos tempos rasos e apressados.

Do Listverse
15 aliens memoráveis da ficção científica: Aalag, Psyclos, Thranx, Marcianos, Pequeninos, Overlords, Fithp, Drac, Fuzzies, Groaci, Ythrians, Hroshii, Forhilnor, Chtorrans, Yilane.

10 histórias de ficção científica anteriores a 1864: Urashima Tarō
(Por volta do século VIII d.C.); Somnium (Johannes Kepler, 1620-1630); Niels Klim’s Underground Travels (Ludvig Holberg, 1741); The Last Man (Mary Shelley, 1826); Taketori Monogatari (Por volta do século X d.C.); Micromega (Voltaire, 1752); The Man in the Moone (Francis Godwin, 1638); Theologus Autodidactus (Ibn al-Nafis, 1267-1277); Uma história verdadeira (Luciano de Samósata, II século d.C.); The Description of a New World (Margaret Cavendish, 1666).

Do Neatorama:
10 livros de Ficção Científica que mesmo os não-geeks adoram

10 dos erros mais comuns em histórias de Ficção Científica

10 acertos da Ficção Científica
: Viagem à Lua; Robôs; Clonagem e Engenharia Genética; a Internet; a Rede Mundial de Computadores; Webcams; Colchões d´água; Satélites de Comunicação; Microcirurgia.

* * *

Para não ser uma vítima destes tempos rasos e apressados, recomendo sempre uma espiada nos comentários... Apenas para verificar a qualidade das informações prestadas... Mas também analise os comentaristas (para não dar ouvidos a qualquer bobagem).

Seja calmo e profundo. Sempre que houver tempo.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Perry Rhodan



"Responda rápido: Qual é a maior saga de ficção-científica de todos os tempos? Jornadas nas Estrelas? Guerra nas Estrelas? Flash Gordon? Se você respondeu qualquer um dos itens anteriores, errou. A resposta correta é Perry Rhodan, um personagem de livros alemães publicados ininterruptamente desde 1961
."


b)Perry Rhodan no Brasil (por Roberto de Sousa Causo)

"Perry Rhodan é a série de ficção científica mais vendida e mais numerosa do mundo.

Criada em 1961 pelos alemães K. H. Scheer e Clarke Darlton (Walter Earnstin), já ultrapassou os dois mil episódios em seu país de origem.

Chegou ao Brasil em 1966, como Operação Astral, o volume 14 da coleção Galáxia 2000, traduzido de uma edição francesa que agrupava sob um único título os dois primeiros episódios: Missão Stardust e A terceira potência. O livro foi creditado apenas a Scheer. No entanto, Darlton havia escrito o segundo volume.

A série propriamente dita só seria lançada em 1975, aqui, pela Ediouro, uma marca da Tecnoprint, do Rio de Janeiro. Deu as caras como uma espécie de teste de mercado. O logotipo era semelhante ao da edição alemã - Perry Rhodan nas letras desalinhadas, sobre um fundo branco. Em seguida, os livros assumiram um formato que lembrava a publicação norte-americana da Ace, editada a partir de 1968 pelo Mr. Science Fiction, Forrest J. Ackerman, uma das mais importantes personalidades do mundo da ficção científica. Tinha um logo característico, com Perry Rhodan escrito num formato semicircular, debruçado sobre as ilustrações em geral assinadas por Grey Morrow (falecido em 2001, aos 68 anos). Muitas capas desse desenhista apareceram na versão da Ediouro. É curioso que Ackerman fosse um grande fã do título, enquanto Morrow não a apreciava."

Continue lendo AQUI, no Omelete. Leia também "Nos arquivos da Ediouro".

c)Perry Rhodan: Pax Terra

"Nas últimas décadas pelo menos sete discos foram lançados na Alemanha com músicas ligadas direta ou indiretamente à série “Perry Rhodan”. Porém, quase todos são apenas compilações de músicas eletrônicas com temática espacial, não sendo portanto discos realmente inspirados na série. Entre os discos mais diretamente ligados à série encontram-se “Perry Rhodan – SOS aus dem Weltall”, a trilha sonora do filme de 1967, e “X-Plorer – A Trip Through the Universe of Perry Rhodan”, um disco cujas músicas foram inspiradas em cenários e ambientes da série. Porém, um desses discos se destaca de todos os outros, tanto por sua qualidade como por sua relação direta com a série: “Perry Rhodan: Pax Terra”."

Lançado em dezembro de 1996, durante as comemorações dos 35 anos da série, “Perry Rhodan: Pax Terra” poderia ser considerado uma “sinfonia não-oficial” da série, pois contém músicas orquestradas e sintetizadas muito bem arranjadas e de alto impacto emocional. Composto pelo músico alemão Christopher Franke, mais conhecido entre os fãs de ficção científica por ter criado praticamente toda a trilha sonora do seriado televisivo “Babylon 5″ entre 1994 e 1998, o disco foi gravado pela Orquestra Sinfônica de Cinema de Berlim e possui as seguintes faixas:

1) Bridge to Eternity (A Ponte para o Infinito) – 6:58
2) The Wonders of Estartu (As Maravilhas de Estartu) – 9:26
3) Atlan – The Solitary Spirit of Time (Atlan, o Solitário do Tempo) – 6:09
4) The Third Question (A Terceira Pergunta) – 11:53
5) Mountain of Creation (A Montanha da Criação) – 8:48
6) Frost Ruby (O Rubi de Gelo) – 10:42
7) Bridge to Eternity (Single Cut) – (versão para rádios da música 1) – 3:23

Como o disco teve uma tiragem limitada, todos os exemplares produzidos esgotaram-se rapidamente. Para evitar que os fãs ficassem sem acesso a esta excelente obra musical, desde 2004 uma versão digital do disco encontra-se disponível no site da Readersplanet (www.readerserver.de), uma empresa alemã especializada em livros e audiolivros digitais. O disco digital, com as músicas no formato MP3, custa 9,99 euros.

(Mais detalhes AQUI no blog de César Maciel.
AQUI no RedeLivro, uma resenha de Fernando Rocha sobre os primeiros números da série.
Site oficial da Edição Brasileira de Perry Rhodan AQUI.)

domingo, 5 de dezembro de 2010

Nova viagem à Lua





"Pesquisando a história remota da FC no Brasil, buscamos algo que se assemelhe aos livros que Julio Verne ou H. G. Wells estavam publicando na Europa, e ficamos decepcionados quando não os encontramos. Os livros de Verne e Wells eram produto de sociedades muito diferentes da nossa. Surge aqui um ou outro título concebido no mesmo espírito (como o prova, por exemplo, O Doutor Benignus, de Augusto Emilio Zaluar), porém o mais normal é encontrarmos obras que tratam aqueles temas com outro espírito, outras intenções, e afeitas às expectativas de outro público.

Nessa linha, uma curiosa referência teatral é a opereta em 3 atos Nova Viagem à Lua, de Artur Azevedo e Frederico Severo. Artur Azevedo foi um dos principais autores teatrais de sua época. Sua peça Amor por anexins, escrita aos quinze anos, é montada ainda hoje. Esta opereta foi lançada em 1877, quando ele tinha 22 anos, com música de Le Coq, e foi representada pela primeira vez no Teatro Fênix Dramática, no Rio."


Leia todo o artigo de Braulio Tavares, clicando AQUI.

(Fonte Imagem: Feuilleton, AQUI.)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Marcianos


Por que as pessoas tendem a falar em "Marcianos", ao invés de, por exemplo, "Saturnianos" ou "Jovianos", quando se fala em vida extraterrestre...? Historicamente, sempre se pensou que Marte era o planeta onde seria mais provável encontrar vida. Este artigo de David Catling na Astrobiology Magazine descreve alguns exemplos sobre como Marte foi abordado na literatura.

Abaixo, a visão de Marte nas Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift:

"Jonathan Swift (1667-1745), the great Irish writer and satirist, makes a curious reference to Mars's satellites in Gulliver's Travels. In the book, astronomers on the fictional island of Laputa (whose king is fond of solving mathematical problems) are said to have discovered two satellites around Mars. Swift details the orbital mechanics with reference to Kepler's laws.

Part III, Chapter 3:
"[The astronomers] have likewise discovered two lesser stars, or satellites, which revolve about Mars, whereof the innermost is distant from the center of the primary planet exactly three of his diameters, and the outermost five; the former revolves in the space of ten hours, and the latter in twenty-one and a half; so that the squares of their periodical times are very near in the same proportion with the cubes of their distance from the center of Mars, which evidently shows them to be governed by the same law of gravitation that influences the other heavenly bodies."

Mars does have two moons - Phobos, the inner satellite, and Deimos, the outer one. By they were not discovered until 1877, by the American astronomer Asaph Hall. Was the assumption of two satellites just a lucky guess on Swift's part? And was it also coincidental that he correctly guessed that the inner satellite orbited Mars in less than a day? (Phobos has an orbital period of 0.32 of a day; Deimos 1.26 of a day).

Kepler had speculated that Mars had two moons, and Swift was almost certainly aware of this. Kepler based his speculation on naive mathematical intuition: because Venus had no moon and Earth had one moon, Mars must have two moons as an outwards progression from the sun."


E existem outros artigos da mesma revista sobre Marte no rádio e no cinema.

Fonte imagem AQUI

sábado, 2 de outubro de 2010

Velhos e novos apocalipses



a)Filmes apocalípticos italianos

"
No período da Guerra Fria, quando o mundo se dividia radicalmente entre Comunistas e Capitalistas, uma ameaça pairava no ar: a hecatombe nuclear que iria dizimar a raça humana e transformar tudo em um cenário de horror onde os vivos invejariam os mortos. Em torno dessa temática apocalíptica uma série de filmes foram produzidos. Houve o clássico episódio do seriado ALÉM DA IMAGINAÇÃO, onde um homem atormentado pela família e pelos colegas de serviço se tranca em um cofre para ter um momento de paz e se dedicar a leitura, seu grande prazer. Ao sair do cofre descobre que o mundo acabou graças a um ataque nuclear. Em um episódio de Halloween de OS SIMPSONS, uma paródia dessa história foi feita mostrando Homer Simpson como o único sobrevivente de um ataque nuclear. Produções muito interessantes beberam dessa fonte apocalíptica como FUGA DE NOVA IORQUE de John Carpenter e MAD MAX 2. Porém, foi na Itália que esses filmes ganharam seu mais bizarro tratamento através dos Filmes Apocalípticos Italianos.
"

Leia o restante deste artigo do blog Revista Zingu! AQUI.


b)O Apocalipse Evangélico

"Um novo gênero literário está surgindo nos EUA: a ficção científica apocalíptico-evangélica. São livros que têm feito muito sucesso e foram adaptados para o cinema. O nome da série (já com mais de 12 títulos), tirado do primeiro romance, é “Left Behind” (“Deixados para Trás”). Sua premissa é o fenômeno religioso chamado “the Rapture”, que pode ser traduzido como “rapto”, “arrebatamento”, “abdução”: de um momento para outro, todos os verdadeiros cristãos desaparecem da Terra, levados para o Paraíso, e aqueles que são “deixados para trás” têm que enfrentar um mundo que regride ao caos e à selvageria como num romance de terror de Stephen King, para se redimirem através das boas ações e da fé."

Leia o restante deste artigo do Mundo Fantasmo de Braulio Tavares AQUI.


c)Vivendo Mad Max

A cidade do sertão australiano onde Mad Max foi filmado chama-se Silverton (Uma "megalópole" de 51 habitantes!) e recebe 140 mil turistas por ano que querem conhecer os cenários deste clássico do pós-apocalipse. Adrian Bennet, era um adolescente na Inglaterra quando assistiu ao filme. Tornou-se um fanático: construiu uma réplica do Interceptor, veículo de Max. E agora se mudou de mala e cuia para a Austrália, onde pretende construir um Museu Mad Max.

Artigo original AQUI. Via Neatorama.

E isto não é tudo: fãs pretendem se reunir agora no mês de outubro no deserto da Califórnia para um grande encontro chamado "Wasteland Weekend". A ideia é passar três dias em mundo com cenários e ambientes inspirados no filme.

"Join the hundreds of fans coming from all over the the United States (and beyond) to gather in the Southern California desert. Set up camp at our wasteland compound, surrounded by specially-built sets. Costumes are required and post-apocalyptic campsites and vehicles are encouraged. Live for three days in a world pulled straight out of the Mad Max movies, beyond the grip of so-called civilization.

Top DJs from all over will provide the soundtrack, fire dancers and bonfires will light up the night, and modified vehicles will shake the earth with their engines
."

Notícia inteira AQUI. Também via Neatorama.

Parece que vai haver mesmo um Mad Max 4.

(Gosto de Max, mas prefiro o Fuga de Nova Iorque)

d)Trailer de The Boy and his Dog.

"A Terceira Guerra Mundial começou em 25 de junho de 1950, quando a República da Coreia foi invadida por 60 mil norte-coreanos liderados por uma centena de tanques russos... e foi até janeiro de 1993, quando a Entente Cordiale do Vaticano foi assinada entre o bloco Oriental e o Ocidental. A III Guerra Mundial - quente e fria - durou quarenta e três anos, apesar de ninguém ter sido esperto o suficiente para notar que se tratava de um único conflito, contínuo. De qualquer forma, no ano novo de 1993 tudo estava acabado: paz e tranquilidade reinavam sobre a Terra...

Por dois anos, seis meses e três dias.

A IV Guerra Mundial estourou no Quatro de Julho de 1995. Durou cinco dias; até os últimos mísseis (uns poucos que haviam encrencado em sua fase de lançamento) finalmente atingirem vários silos subterrâneos sob o deserto do Arizona, sob os Urais e a cordilheira de Altay; mas já não havia muito pelo que lutar naquela ocasião. Cinco dias."

Filme pós-apocalíptico de 1975 (estrelado por um Don "Miami Vice" Johnson) baseado em um conto do escritor norte-americano Harlan Ellison. É um filme B, escuro, bem ao estilo daqueles que Tarantino e Rodrigues emularam com "À prova de Morte" e "Planeta Terror". Virou graphic novel "Vic and Blood" com desenhos de Richard Corben (De onde traduzi - mal e porcamente - o trecho acima).

A história é sobre um garoto (Vic) e seu cachorro telepata (?) que vivem em um mundo destruído por uma guerra nuclear, onde buscam comida e garotas.

e)Homens do Fim do Mundo

Um ótimo livro sobre História da Ciência que se revelou um ótimo livro sobre a ficção científica apocalíptica é "Homens do Fim do Mundo" (P.D.Smith, Cia das Letras), no qual - entre muitas outras coisas - se narra a troca entre a visão dos cientistas e a das histórias de ficção científica sobre os destinos e os propósitos da arma do fim do mundo: a bomba atômica. O livro termina contando com detalhes os bastidores de "Dr Fantástico" de Kubrick e o fim deprimente do escritor do livro de onde se originou o filme.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Estranhos seres da lua




In August 1835 citizens in New York City received extraordinary news. According to the New York Sun, the British astronomer Sir John Herschel had found proof of life on the moon.

Using an enormously powerful telescope able to magnify objects 42,000 times, Sir John had distinguished a wide range of flora and fauna with astonishing clarity. In just one area of the moon, the newspaper disclosed, he had observed 38 species of forest trees, twice that number of other plants, and different creatures, including small reindeer like animals, elks, moose, bears with horns, and beavers with no tails and only two feet.

Each issue of the newspaper brought new revelations, reported by journalist Richard Adam Locke and based on Sir John’s accounts in the highly respected Edinburgh Journal of Science. Day after day Locke told astonished readers of lunar amethysts more than 60 feet high, immense fields of poppies, a great temple made of sapphire, and herds of buffalo with fleshy appendages over their eyes that protected them from the damaging extremes of light and darkness.

Even more intriguing was the discovery of lunar inhabitants that were semi human in form: they stood four feet tall, were covered with glossy, copper-colored hair and, from the expression on their yellowish faces, were clearly intelligent. They also had wings on their backs. They talked in an animated fashion, bathed in lakes, and flew.



(No verão de 1835, o jornal New York Sun publicou vários artigos sobre a descoberta de vida na lua por um astrônomo inglês. Via Coisas do Arco da Velha)


P R O J E T O P O R T A L B L O G F E E D