Projeto Portal foi uma revista de contos de ficção científica com periodicidade semestral, editada no sistema de cooperativa durante os anos de 2008 e 2010. A pequena tiragem — duzentos exemplares de cada número — foi distribuída entre acadêmicos, jornalistas e formadores de opinião. Seis números (de papel e tinta, não online). O título de cada revista homenageou uma obra célebre do gênero: Portal Solaris, Portal Neuromancer, Portal Stalker, Portal Fundação, Portal 2001 e Portal Fahrenheit.


Idealização: Nelson de Oliveira | Projeto gráfico e diagramação: Teo Adorno
Revisão: Mirtes Leal e Ivan Hegenberg | Impressão: LGE Editora

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domingo, 2 de janeiro de 2011

Flash Gordon, por Bráulio Tavares





(Fonte do texto Mundo Fantasmo; Fonte do Mapa, clique na imagem)

"Numa entrevista à TV, o escritor português Antonio Lobo Antunes disse que todo escritor, ao ser indagado sobre as influências que o levaram a escrever, costuma citar Joyce, Proust, etc. Para ele, isso é conversa fiada de intelectual. “Quem nos leva a escrever é Flash Gordon”, disse. “Muito antes de conhecermos os grandes autores, a vontade de contar histórias já nos foi despertada por aqueles autores ditos menores, mas que apaixonam nossa imaginação: Emilio Salgari, Julio Verne...”

Yambo, o protagonista da A Misteriosa Chama da Rainha Loana de Umberto Eco, é um homem com amnésia que reconstitui a própria infância através dos livros e gibis que leu. Yambo relaciona a imagem de Flash Gordon, que ele lia no semanário L’Avventuroso, aos heróis arianos da época (1934) e à própria imagem de Mussolini, e diz à página 237: “Tive em Flash Gordon a primeira imagem de um herói de uma guerra de libertação combatida em um Alhures Absoluto, fazendo explodirem asteróides fortificados em galáxias distantes”. Ele percebe também os anacronismos dos quadrinhos de Alex Raymond, em que os personagens “eram incongruentemente dotados tanto de armas brancas ou flechas quanto de prodigiosos fuzis de raio fulminante”.

Ariano Suassuna recorda ter visto na infância Flash Gordon no Planeta Mongo, e diz: “Quando vi a chegada do homem à Lua pela televisão, fiquei decepcionado. Flash Gordon era mil vezes mais interessante”. Lobo Antunes nasceu em 1942, Eco em 1932 e Ariano em 1927. Nestes três escritores tão diferentes entre si vemos o resultado de uma das primeiras investidas maciças da cultura pop norte-americana (cinema e quadrinhos) durante as décadas de 1930-40.

Hoje em dia vivemos saturados de “Space Opera”, a tal ponto que mesmo os aficionados (como eu) consideram isto uma banalização insuportável da beleza da FC. Flash Gordon surgiu numa época em que o “realismo aparente” era soberano. Naquela paisagem naturalista e banal suas aventuras envolviam reinos futuristas, monstros pré-históricos, foguetes espaciais, lutas de gladiadores, pistolas desintegradoras. Eram, e ainda são, um escoadouro indisciplinado e descontraído para as imagens do inconsciente, sem a mínima preocupação com a lógica ou a verossimilhança. A imagem brotando pelo seu valor como imagem; a peripécia surgindo pelo seu valor como peripécia.

Flash Gordon foi o Star Wars de seu tempo, ou melhor, uma síntese surrealista entre o futurismo de Star Wars e o medievalismo de O Senhor dos Anéis. Nada tem de científico. Seus enredos são absurdos, seus personagens são de papelão. No cinema, os efeitos especiais provocam risos no espectador de hoje; nos quadrinhos, o belo desenho de Alex Raymond continua imbatível. Mas acima de tudo ele comprova o poder da imaginação pura, despida de pretextos, independente da razão e da lógica. Flash Gordon é o nosso inconsciente coletivo posto a nu e revelado às crianças antes que elas sejam vacinadas contra a imaginação."

Flash Gordon, The Greatest Adventure of All (1979)



Texto do livro "Super-heróis nos Desenhos Animados" (Editora Europa):
"De olho no sucesso de Guerra nas Estrelas, o estúdio Filmation produziu a primeira animação do herói das tiras de jornal. A primeira temporada é considerada um dos melhores trabalhos do estúdio, mas o tom mais infantil do segundo ano levou ao cancelamento do desenho."

Lembro-me de tentar acompanhar este desenho, mas era complicado porque passavam em episódios semanais num horário meio complicado para quem era criança seguir...

Este é o piloto da série (achei no YouTube): a história se passa em 1939 e já inicia com o bombardeio de Varsóvia pelos alemães. Parece bem fiel ao espírito do original dos quadrinhos.

Mais detalhes aqui no Wikipedia

Flash, pelo Queen


(Queen)


Flash - Ah
Saviour of the universe
Flash - Ah
He'll save ev'ry one of us

Seemingly there is no reason for these
Extraordinary intergalactical upsets (ha ha ha)
What's happening Flash?
Only Dr Hans Zarkov formerly at NASA
Has provided any explanation


Flash - Ah
He's a miracle

This mornings unprecedented solar eclipse
Is no cause for alarm


Flash - Ah
King of the impossible

He's for ev'ry one of us
Stand for ev'ry one of us
He'll save with a mighty hand
Ev'ry man ev'ry woman ev'ry child
With a mighty Flash

General Kaka Flash Gordon approaching
What do you mean Flash Gordon approaching?
Open fire all weapons
Dispatch war rocket Ajax to bring back his body


Flash - Ah

Gordon's alive

Flash - Ah

He'll save ev'ry one of us

Just a man with a man's courage
He knows nothing but a man
But he can never fail
No one but the pure in heart
May find the golden grail oh oh oh oh

Flash Flash I love you
But we only have fourteen hours to save the Earth


Flash



(Trilha do FILME de 1980. Imagem por Alex Raymond - Flash Gordon e Dale Arden no dia da derrota do Imperador Ming, VIA o belo 7 Impossible Things before Breakfast, mas origem AQUI)


P R O J E T O P O R T A L B L O G F E E D