Projeto Portal foi uma revista de contos de ficção científica com periodicidade semestral, editada no sistema de cooperativa durante os anos de 2008 e 2010. A pequena tiragem — duzentos exemplares de cada número — foi distribuída entre acadêmicos, jornalistas e formadores de opinião. Seis números (de papel e tinta, não online). O título de cada revista homenageou uma obra célebre do gênero: Portal Solaris, Portal Neuromancer, Portal Stalker, Portal Fundação, Portal 2001 e Portal Fahrenheit.


Idealização: Nelson de Oliveira | Projeto gráfico e diagramação: Teo Adorno
Revisão: Mirtes Leal e Ivan Hegenberg | Impressão: LGE Editora

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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Do terceiro milênio para frente




(Zé Ramalho)


Quando o último adeus desse milênio
Despedir-se de toda a humanidade
Descerá uma grande novidade
Entre átomos, íons e hidrogênio
Nascerá desse todo um grande gênio
Com enorme cultura diferente
Ensinando pra todos claramente
O porquê de uma causa ter efeito
Estará nosso globo desse jeito
Do terceiro milênio para a frente
Podem crer que daqui a uns cem anos
Automóveis não queimam gasolina
Não há mais reatores nem turbina
Provocando ruídos desumanos
Neste tempo os norte-americanos
Pedirão o dinheiro para a gente
Nós faremos com eles prontamente
Tudo o quanto conosco eles têm feito
Estará nosso globo desse jeito
Do terceiro milênio para a frente
Em dois mil e quinhentos mais ou menos
Há mudança geral em toda parte
Os humanos escrevem para Marte
Pegam táxi aéreo para Vênus
Já os grandes não zombam dos pequenos
Porque o mundo só terá um presidente
Que vai unir ocidente e oriente
Sem senado, sem câmara, sem prefeito
Estará nosso globo desse jeito
Do terceiro milênio para a frente



(Do álbum Frevoador. Bela. Só achei aqui. Fonte imagem: Inhabitat)

domingo, 5 de dezembro de 2010

Visões de Zé Limeira sobre o final do Século XX




(Zé Ramalho)

Vejo discos de metal
Pairando pelas noites do país
Minhas loucas conclusões nada dizem
Residem nos cabelos de sansão
Ah! Deuses-astronautas me ajudam
A conseguir o meu velo de mercúrio

A imagem milenar
Dos grandes dinossauros que domei
Uma espaçonave é a tua residência
Paciência, mas o éter me chamou
Ah! Sou um panteísta sufocado
Pelas canções do acetato de mercúrio

E os terráqueos conseguiram
Finalmente conquistar
Sua terra mais garrida
Borboletas de acrílico
Puseram suas asas
Num cabide esquisito
Gerou conflito entre as gerações febris

Era um porco chauvinista
Procurado pelo karma
De lançar outro vapor
Cogumelos nucleares
Que iluminam as campinas
Do planeta abissal
No carnaval dos seres brancos e azuis

Foi eleito um faraó
E longas catacumbas perfurei
Pelas plainas do sertão quase quente
Correntes de platina separou
As águas do oceano encantado
Que deus criou
Pelas algas de mercúrio

O meu velo de mercúrio
O acetato de mercúrio
Pelas algas de mercúrio

(Imagem James R.Powers (1957) Via Plan59)

Táxi Lunar



(Zé Ramalho)


Ela me deu o seu amor, eu tomei
No dia 16 de maio, viajei
Espaçonave atropelado, procurei
O meu amor aperreado

Apenas apanhei na beira-mar
Um táxi pra estação lunar

Bela linda criatura, bonita
Nem menina, nem mulher
Tem espelho no seu rosto de neve
Nem menina, nem mulher

Apenas apanhei na beira-mar
Um táxi pra estação lunar

Pela sua cabeleira, vermelha
Pelos raios desse sol, lilás
Pelo fogo do seu corpo, centelha
Belos raios desse sol

Apenas apanhei na beira-mar
Um táxi pra estação lunar




(Perseguição ao táxi em "O Quinto Elemento)


P R O J E T O P O R T A L B L O G F E E D